3 Tradições na Igreja que Devem Acabar - Mitos | Intérprete Nefita

3 Tradições na Igreja que Devem Acabar

É nosso dever como membros da Igreja, discernir tradição da doutrina, para que o evangelho possa ser vivido da maneira correta.


Por Lukas Montenegro 27 de Janeiro de 2019
 3 Tradições na Igreja que Devem Acabar

A Doutrina de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é única e coesa. Em alguns lugares, contudo, existem algumas tradições criadas localmente que adicionam aspectos não oficiais a determinado ensinamento doutrinário. Com o tempo, quando essas tradições são amplamente divulgadas e executadas, acabam assemelhando-se a um procedimento oficial da Igreja. Apesar de terem boa intenção, essas práticas podem desviar o foco dos princípios simples eficazes do viver cristão. Aprender como identificar essas tradições ajuda a viver o Evangelho em sua maneira mais pura.  
         

Abaixo seguem o exemplo de três tipos de tradições que precisam acabar entre os membros da igreja. 

1. Tradições acerca da palavra de sabedoria. Essas provavelmente são as mais famosas. Para alguns, ingerir bebidas como chimarrão, tererê ou bebidas a base de cola, ferem a palavra de sabedoria. Somos porém ensinados claramente o que constitui violação desse mandamento:

E também bebidas fortes não são para o ventre, mas para lavar vosso corpo.
E também tabaco não é para o corpo nem para o ventre e não é bom para o homem, mas é uma erva para machucaduras e todo gado doente, a qual se deve usar com discernimento e habilidade.
 E também bebidas quentes não são para o corpo nem para o ventre.[1]

O site oficial da igreja explica essa passagem com a seguinte declaração:

Na Palavra de Sabedoria, o Senhor revelou que as seguintes substâncias são prejudiciais:

Bebidas alcoólicas (ver D&C 89:5-7).
 

Tabaco (ver D&C 89:8).
 

Chá preto e café (ver D&C 89:9; os profetas modernos ensinaram que o termo “bebidas quentes”, que aparece nesse versículo, se refere ao chá preto e ao café).
 

Quando as pessoas deliberadamente ingerem algo prejudicial, elas não estão vivendo em harmonia com a Palavra de Sabedoria. As drogas ilegais, em especial, podem destruir aqueles que as usam. O abuso de medicamentos com prescrição médica também é espiritual e fisicamente destrutivo[2].


Apesar de refrigerantes em geral não serem os melhores aliados da saúde (assim como muitos outros alimentos de amplo consumo em nossos dias), não se há menção de que chimarrão, tererê ou bebidas a base de cola sejam uma violação a palavra de sabedoria. Hoje em dia, por sorte, a maioria dos membros da Igreja já estão cientes desse fato. Ainda existe, contudo, desconfiança ou preconceito contra membros que gostam dessas bebidas. Tais sentimentos não devem ser perpetuados. 

2. Tradições acerca do sacramento. Existem tantas tradições não oficiais sobre o momento do sacramento, que somente algumas poderão ser citadas aqui. Essas seriam: 


(1) quem distribui deve usar camisa branca; 
(2) gravtas borboletas são proibídas; 
(3) quem distribui deve colocar a mão que não carrega a bandeja, para trás; 
(4) Se a pessoa chegou na hora do sacramento, não pode entrar para tomá-lo; 
(5) somente portadores do sacerdócio podem passar a bandeja nos bancos;


Sobre todas essas tradições, não se há muito o que dizer. As palavras do manual de administração da igreja são suficientes. Sobre a vestimenta:


Aqueles que abençoarem e distribuírem o sacramento devem se vestir com recato, estar limpos e bem-arrumados. Suas roupas ou joias não devem chamar a atenção nem distrair os membros durante o sacramento. Recomenda-se o uso de camisa branca e gravata, porque isso contribui para o ambiente de respeito durante a ordenança. Contudo, isso não deve ser exigido como pré-requisito obrigatório para que um portador do sacerdócio abençoe ou distribua o sacramento. Tampouco deve ser exigido que todos estejam vestidos de modo semelhante. O bispo deve usar de bom senso ao transmitir essas instruções aos rapazes, levando em conta a situação financeira e a maturidade deles na Igreja[3].

Sobre a postura dos jovens que distribuem:

A distribuição do sacramento deve ser natural e discreta, não rígida ou excessivamente formal. Aqueles que distribuem o sacramento não devem ser obrigados a assumir qualquer postura ou ação especial, como, por exemplo, manter a mão esquerda atrás das costas. O processo de distribuição do sacramento não deve chamar a atenção para si ou prejudicar a finalidade da ordenança[4].


Sobre quem pode mover a bandeja nos bancos:


Depois que o portador do sacerdócio entregar a bandeja do sacramento para um membro, ela pode ser passada de uma pessoa para outra para facilitar a distribuição[5].


Não há nada nos manuais ou registros oficiais da igreja que diz que pessoas que chegaram atrasadas não podem ser convidadas a entrar e tomar o sacramento; ou que não possam tomar a água (caso chegaram atrasadas para o pão), e o primeiro quando acabar a reunião. Entende-se pela importância da ordenança que todos devem ter a chance de participar de qualquer parte do sacramento. Além disso, todos devem ter livre acesso a qualquer parte das reuniões dominicais. A regra de não poder entrar durante o sacramento é uma tradição, e não deve ser pregada ou seguida.  

3. Tradições acerca do Jejum. As tradições mais famosas sobre o jejum são, primeira: se motivos de saúde impede de jejuar, não se pode doar uma oferta de jejum. Segundo: se a condição financeira não permite doar a oferta de jejum, não se deve jejuar. Alguns membros acreditam que o jejum só pode ser feito no primeiro fim de semana do mês, ou que a oferta de jejum só pode ser doada neste dia. Não há qualquer diretriz nas escrituras ou manuais da igreja que levem a qualquer dessas conclusões. O jejum é espiritual, não somente passar fome. As ofertas são uma oportunidade e um privilégio de abençoarmos a vida de outras pessoas. Tradições ou ensinamentos desse tipo não devem ser perpetuados.

 

Onde encontrar os ensinamentos oficiais?


          Talvez depois dessa leitura, seja normal pensar: "Onde, então, posso encontrar os ensinamentos corretos?" As escrituras testificam das palavras de Cristo[6]. Elas são o primeiro passo. Segundo, precisamos orar fervorosamente para que o Senhor nos ensine a verdade por meio de seu espírito. Nossa diligência em estudar e orar são a essência do que o Salvador prometeu quando disse "Pedi e recebereis"[7]. Um terceiro ingrediente, é nossa vida digna. Ao nos esforçarmos para seguir ao Senhor e seus ensinamentos, "a doutrina do sacerdócio destilar-se-á como orvalho do céu" (DeC 121:45). 


           A maioria do que foi falado acima, contudo, é relacionado a práticas específicas ou procedimentos administrativos da igreja. Como um guia para essas diretrizes, todos os membros podem e devem usar o Manual 2 de Administração da Igreja. Para bispados, presidências de Estaca e de missão, o Manual 1 de Administração é um complemento indispensável de diretrizes. Eles contém a palavra oficial da igreja em todos esses assuntos.  Ambos encontram-se disponíveis de maneira impressa (a liderança da ala pode providenciar cópias), no site lds.org e também no aplicativo para dispositível móvel "Biblioteca do Evangelho". Mudanças em diretrizes do manual são anunciadas aos líderes do sacerdócio por meio de cartas oficiais da primeira presidência, dos líderes gerais da igreja e da presidência de área, que são geralmente lidas durante a reunião sacramental. 


          Quando a palavra "tradição" é usada, carrega sempre um significado menos oficial e mais casual e simbólico. Algumas tradições são maravilhosas, como as que desenvolvemos com nossa família e amigos. Contudo, tradições relacionadas a doutrinas do evangelho, podem nos desviar do foco que é Cristo. As diretrizes da igreja, presentes nas escrituras e em seus manuais de administração, foram escritas sob o espírito de profecia e revelação. Não precisam ser complementadas, acrescidas ou enfeitadas. Ao nos esforçarmos a viver a verdadeira doutrina, seguindo os preceitos e administrando os negócios da igreja da maneira que constam no manual, seremos abençoados a viver com a bela simplicidade do Evangelho de Jesus Cristo, que é o "poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê"[8].

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

1.  DeC 89:7-9;
2.  Tópicos do Evangelho: Palavra de Sabedoria;  Link disponível em: https://www.lds.org/topics/word-of-wisdom?lang=por&old=true
3. Manual 2 de Administração da Igreja - Tópico 20.4.1;
4. Idem;
5. Idem;
6. 2 Néfi 32:3;
7. DeC 4:7;
8. Romanos 1:16;
 



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