A Árvore do Conhecimento e a 2º Lei da Termodinâmica - Ciência | Intérprete Nefita

A Árvore do Conhecimento e a 2º Lei da Termodinâmica

Uma análise de como o princípio da entropia permeia todos os aspectos do universo físico e espiritual.


Por Luiz Botelho 22 de Agosto de 2018
A Árvore do Conhecimento e a 2º Lei da Termodinâmica

Em meados de 1850, o físico alemão Rudolf Clausius elaborou uma versão mais precisa de uma das descobertas científicas mais importantes de sua época, o qual serviu como base fundamental para todo entendimento da física moderna, conhecida como a primeira lei da termodinâmica. Tal lei, também chamada de "Lei das Conservações da Energia" declara que energia não pode ser criada ou destruída, mas apenas transformada.[1]

Santos dos Últimos Dias estão familiarizados com este conceito, porque de fato, um dos fundamentos básicos de nossa teologia possui uma aplicação similar, referente à matéria; a crença de que o Senhor "organizou" o universo de materiais pré-existentes e desorganizados.[2] 

Curiosamente, entretanto, foi o entendimento da segunda lei da termodinâmica que passou a delinear praticamente todos os aspectos de nosso entendimento do universo físico, e espiritual.

A segunda lei da termodinâmica, normalmente chamada de entropia, declara que o universo está gradualmente perdendo energia utilizável e tornando-se mais desorganizado com o passar do tempo. Apesar de soar como um conceito abstrato e relevante apenas para profissionais da física, o princípio na verdade se aplica a todos os aspectos de nossa existência passada, presente e futura. O carro que você dirige tende a ficar velho e se deteriorar com o tempo. Nosso lar, mesmo se bem cuidado, também sofre deterioração e gradualmente precisa de reparos. 

Entropia é o princípio universal que faz com que tudo se mova de um estado de ordem para um estado de desordem e é a explicação do porquê é tão difícil manter seu quarto arrumado. 

A Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal é a Entropia

Aprendemos através do Plano de Salvação que na vida pré-mortal progredimos até o ponto que tal esfera poderia suportar e que para continuar tal progresso, seria necessário viver, crescer e nos desenvolver em um mundo de "desordem", que nos ofereceria as experiências necessárias para a exaltação. Leí ensinou o estado de entropia zero presente no relato do Éden:

"E então, eis que se Adão não houvesse transgredido, não teria caído, mas permanecido no jardim do Éden. E todas as coisas que foram criadas deveriam ter permanecido no mesmo estado em que estavam depois de haverem sido criadas; e deveriam permanecer para sempre e não ter fim."[3]

Leí compreendia que a única forma de progredir envolveria sair do seguro e imutável estado da vida pré-mortal e se submeter a um mundo decaído, cuja entropia (desordem) está em constante avanço. De fato, o princípio da entropia é o fator fundamental que governa mortalidade e diversos aspectos de nossa existência.

A necessidade de Deus para vencermos o futuro nada promissor garantido pela entropia está no fato de que de um ponto de vista espiritual ela apenas pode ser superada através da interferência de um fator externo, imutável e não sujeito à desordem promovida pela segunda lei da termodinâmica; Deus. Pense, por exemplo, no agricultor que trabalha arduamente para tornar sementes em alimentos. Mesmo que a terra esteja cultivada, as pragas sejam contidas e o clima seja ideal, uma semente apenas crescerá e dará frutos caso seja exposta à influência do sol. O sol, neste caso, é o fator externo que faz com que a semente se desenvolva na contra mão do princípio da entropia, se movendo de um estado de menos complexidade e ordem (semente) para um estado mais complexo (fruto, árvore, vegetação).

Uma vez nascido na mortalidade, a única forma de vencer a entropia física e espiritual é através daquele fator externo capaz de reverter o processo de desordem para ordem. No Evangelho Restaurado chamamos tal fator externo de expiação. Ou como o apóstolo Marion G Romney ensinou:

"Sem a expiação, todo o propósito da criação da Terra e nossa vida sobre ela falharia"[4]

Sem a Expiação de Jesus Cristo, cada amanhecer seria um lembrete de que um dia o Sol não mais brilharia, cada adeus, uma realidade imutável, cada momento a mais, um momento a menos, cada morte uma tragédia, cada nascimento uma tragédia em embrião. 

A Entropia Infinita das Trevas Exteriores

Ironicamente, a mesma "arma" utilizada pelos filhos de perdição para destruir o destino eterno de muitos, terá efeito sob eles pelo que o Livro de Mórmon declarou ser a destruição "da alma e do corpo".[5] Brigham Young falou sobre como a entropia agirá sobre eles, quando todo o Plano de Salvação for consumado e eles forem "separado das coisas concernentes à retidão":  

"Eles serão decompostos, tanto a alma como o corpo, e retornarão a seus elementos nativos. Não afirmo que eles serão aniquilados, mas desorganizados, e será como se nunca houvessem existido, e enquanto nós viveremos e reteremos nossa identidade e contenderemos contra aqueles princípios que tendem à morte e dissolução (...)"[6][7]

É a existência de um fator externo (Deus e Seu Evangelho) que torna possível o controle da entropia presente no universo. Sem a influência do Evangelho, as inteligências e elementos primários utilizados na organização dos mundos permanecem em um estado de constante e gradual entropia e desordem, sendo as Trevas Exteriores o estado caótico final e absoluto. 

Conclusão

É interessante, entretanto, notar que a mesma entropia que gradualmente nos conduz à desordem física e espíritual, é essencial em nossa jornada de progresso e evolução e que o entendimento do "fator externo" Deus, é o que determinará se no final estaremos sujeitos à entropia, ou se ela estará sujeita a nós. 

Referências

[1] Clausius, 1850; On the moving force of heat, and the laws regarding the nature of heat itself which are deducible therefrom.
[2] Abraão 3:24
[3] 2 Néfi 2:22
[4] Marion G. Romney, Conference Report, October 1953, pp. 34-36
[5] 2 Néfi 1:22
[6] Helamã 14:18
[7] Journal of Discourses 7:57 p.58, Brigham Young, June 27, 1858



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