Astrologia, Horóscopos e o Evangelho de Jesus Cristo - Ciência | Intérprete Nefita

Astrologia, Horóscopos e o Evangelho de Jesus Cristo

O conhecimento do evangelho de Jesus Cristo, bem como os fatos revelados pela ciência moderna, permitem chegar a conclusão correta sobre a validade da astrologia nos dias atuais.


Por Lukas Montenegro 23 de Junho de 2019
Astrologia, Horóscopos e o Evangelho de Jesus Cristo

Uma pesquisa feita no final do século passado na Inglaterra, Estados Unidos e Canadá[1] registrou que 25% das pessoas entrevistadas acreditavam em astrologia. Não há pesquisas confiáveis desse tipo para a população do Brasil, mas a astrologia nos jornais e revistas da nação, bem como a importância dada aos astrólogos em programas de rádio e televisão, não deixam dúvidas de que há uma fatia significativa que dá atenção a esses conselhos.

Entre os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, não é tão difícil de encontrar alguém que tenha algum nível de confiança na astrologia. Quase todos conhecem seu signo solar e alguns admitem ter encontrado algo nas profecias astrológicas que combinavam com sua personalidade ou interesses[2]. Mas o que realmente é a astrologia, e que ensinamento ela tem a oferecer, principalmente àqueles que professam conhecer o verdadeiro Evangelho de Cristo?

 

Astrologia: Um Breve Contexto Histórico

 

A palavra “astrologia” vem do grego "astron", que significa "estrela". Ela é o estudo dos corpos celestes – sol, lua, planetas e estrelas - no contexto de sua influência na vida e comportamento humano. Apesar de a tradição astrológica ser tão antiga quanto a civilização humana, estima-se que a primeira forma organizada de estudo da astrologia teve origem entre o terceiro e segundo milênio A.C., na Babilônia[3].

Em um conjunto de 68 tábuas de escritos cuneiformes chamado de Enuma Alu Enlil, os babilônicos descreveram sua astrologia primitiva, que se dedicava principalmente a associar às tarefas sazonais da sociedade (plantio, colheita, etc), as posições do sol e da lua em relação as diversas constelações visíveis ao redor da terra. Através de suas observações do céu, eles foram capazes de estimar que, a cada 1/12 avos de seu movimento ao redor da terra[4] (um mês), o sol passava por uma diferente constelação do que chamaram de zodíaco. Assim, haviam doze constelações, as quais foram dados nomes similares aos que conhecemos hoje – leão, gêmeos, touro. A ideia é que o movimento celestial de alguma forma “trazia” as estações desejadas, os bons peixes ou o tempo da colheita.

Se o objetivo inicial da astronomia babilônica fora indicar coisas como a época boa para pesca, ela rapidamente se desenvolveu no contexto da adivinhação. Seguindo o caminho de outras práticas (como procurar sinais no fígado de animais sacrificados), a astrologia passou a interpretar presságios específicos – relativos a cada movimento celeste – a respeito de reis, guerras, romances e pragas. A ideia era que os astros, tinham o poder de influenciar a vida humana e revelar os segredos dos deuses, e que tais manifestações podiam ser lidas por alguém qualificado para tal – geralmente um sacerdote da religião oficial. Os astros podiam influenciar em decisões estratégicas e revelar interpretação para sonhos e visões.

A astrologia dessa forma foi disseminada com o passar dos séculos pelo Egito, Grécia, Roma, Índia, China, no Mundo Islâmico e na Europa Medieval, onde por três mil e quinhentos anos foi extensamente praticada. Até o século XVII, a maioria das cortes reais possuíam um ou mais astrólogos para ler e interpretar o horóscopo. A prática começou a cair em descrédito com o levante do movimento científico a partir de 1600[5]. Isso aconteceu porque os homens da ciência começaram e fazer testes com as previsões astrológicas e a questionar pontos fundamentais de seu funcionamento e resultados.

A crítica principal era a respeito de que tipo de força produziria a influência astrológica predita. Acabou-se por concluir que não haviam relações reais entre os astros e as pessoas, apenas coincidências ocasionais. A astrologia veio eventualmente a ser categorizada como uma pseudociência, status que mantém até hoje. Apesar do pico de popularidade que reascendeu o interesse pela astrologia na segunda metade do século XX, sua popularidade e aceitação atual são somente uma centelha do que um dia foram.

 

Existe Alguma Validade na Astrologia?

 

A maior utilidade da astrologia historicamente foi que, para entendê-la, seus praticantes dedicavam-se ao estudo da astronomia (o estudo científico dos corpos celestes). Ao fazer isso, eram capazes de fazer certas previsões sobre as estações do ano e construir calendários. Os dados astronômicos acumulados por astrólogos também foram fundamentais para as descobertas do heliocentrismo e da lei da gravidade. A revolução científica, contudo, mostrou que era possível se utilizar de tais dados sem entrar no mérito astrológico, ou de qualquer relação oculta entre as estrelas e o solo, o clima ou a personalidade das pessoas.

É evidente nos dias atuais que a astrologia é falha, imprecisa e enganadora quando aplicada à vida das pessoas. As previsões astrológicas sobre que tipo de roupa usar ou com que tipo de pessoa casar são totalmente subjetivas e aleatórias e, quando acertam, são produto de mera coincidência. A popularidade da astrologia parece ser mais o resultado da boa “lábia” de seus defensores, do que da eficácia de seus resultados. Abaixo estão listadas apenas algumas das relações pelas quais a astrologia não tem validade real:

  1. A divisão do zodíaco babilônico foi feita de maneira imprecisa. Hoje sabemos que há pelo ou menos treze constelações na região chamada de “zodíaco”. Isso por si só, já bagunça de maneira irreconciliável o modelo de doze signos usado pelos astrólogos até os dias atuais[6].

  2. A precessão dos equinócios terrestres, é um fenômeno em que, devido a inclinação do eixo de rotação da terra, os equinócios (dias em que o dia e a noite duram a mesma quantidade de tempo), ocorrem mais “cedo” a cada ano. Na prática, a cada 2.150 anos, em média, o calendário “avança” em um mês. Para astrologia isso significaria que uma pessoa nascida de modo a pertencer, na época dos babilônicos ou gregos, ao signo de escorpião, faria parte do signo de sagitário se nascesse na mesma data. Apesar disso, os astrólogos ainda lhe fazerem previsões como se pertencesse a escorpião, já que se baseiam somente nas datas do calendário e nas práticas antigas[7].

  3. As relações astrológicas são mais superficiais que substanciais. Como falou-se anteriormente, os fundadores da astrologia viam relações entre os movimentos no céu e as atividades humanas locais, e pensavam que haveria uma interação oculta e profunda entre ambos. Hoje já se sabe que esse não é o caso. Por exemplo, o fato das cheias do Rio Nilo se darem sempre que as mesmas constelações aparecem no céu, não se deve a um efeito direto dessas constelações, e é somente uma coincidência entre o movimento aparente das estrelas no céu e a chegada a estação do ano mais propícia para chuvas – ambos resultando do movimento da terra em sua órbita ao redor do sol.

  4. Fazer previsões para bilhões de pessoas certamente não é tarefa fácil. Acreditar na astrologia significa acreditar que 1/12 avos da população mundial terá o mesmo tipo de dia, todos os dias – cerca de 600 milhões de pessoas. Para tal, astrólogos precisam se usar dos mais vagos tipos de predição. É claro que qualquer pessoa poderia se identificar com alguma “previsão” para o seu signo – elas são tão gerais que representam traços da personalidade e desejos de qualquer ser humano. Uma pesquisa realizada nos anos 80 demonstrou que se três possíveis predições fossem dadas a alguém, sem lhe dizer a qual signo se referiam, apenas em 1/3 das vezes se acertava qual delas se referia ao signo específico do indivíduo – e 1/3 é o número esperado pela probabilidade aleatória[8].

 

A Astrologia e o Evangelho de Cristo

 

Até agora foi visto do ponto de vista dos fatos, que a astrologia não tem nenhuma validade comprovada. Agora se torna prudente fazer a seguinte pergunta: o que pensar da astrologia no contexto da doutrina do evangelho? As escrituras são tão abundantes a esse respeito, que suficiente é citar somente algumas delas.

Primeiro, nos três registros referentes a criação, o Senhor mostrou qual a forma correta de interpretar o movimento dos corpos celestes:

E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, e para tempos determinados, e para dias e anos”. [9]

Nenhuma menção de que os astros poderiam ser usados para revelar algo sobre a natureza do indivíduo, somente que poderiam ser usados como medidores de tempo – para construção de calendários, como é feito hoje em dia.

Os astrólogos são mencionados no registro bíblico somente quando os judeus entraram em contato com a cultura babilônica. Primeiro, as palavras de Isaías que são fortes quanto a astrologia:

Cansaste-te na multidão dos teus conselhos; levantem-se, pois, agora os agoureiros dos céus, os que contemplavam os astros, os prognosticadores das luas novas, e salvem-te do que há de vir sobre ti.

Eis que serão como a pragana, o fogo os queimará; não poderão livrar a sua vida do poder da labareda”[10].

A história de como os astrólogos de Nabucodonosor falharam em interpretar o sonho do rei é bastante conhecida, e foi um símbolo de como tais artes não tem nenhuma substância. A declaração de Daniel a respeito disso é talvez a mais significativa sobre o assunto das escrituras:

Respondeu Daniel na presença do rei, e disse: O segredo que o rei requer nem sábios, nem astrólogos, nem magos, nem adivinhos o podem declarar ao rei;

Mas há um Deus nos céus, o qual revela os segredos; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser nos últimos dias”[11].

Um detalhe interessante é que o registro nos mostra que Daniel era versado no conhecimento astrológico, e que foi treinado pelos sábios do rei (os profissionais dessa arte na época). Com conhecimento de causa ele desmentiu a influência da astrologia nos sonhos, ou sua capacidade de interpretação.

Em um breve trecho de seu artigo intitulado “Meu estudo da Astrologia”, publicado em 1893, o Elder James E. Talmage contou uma história sobre sua experiência com a astrologia enquanto garoto, e concluiu:

Isso foi convincente. As dúvidas sumiram, e com elas toda minha convicção no horóscopo. Eu soube que a astrologia era uma fraude!”.

O problema fundamental da astrologia é que ela introduz um método de se obter revelação que é totalmente contrário ao ensinado as escrituras. O Senhor deseja que confiemos em seus ensinamentos e busquemos pessoalmente conhecer Seus mistérios. Buscar respostas pela astrologia ou por qualquer forma de adivinhação significa burlar as leis divinas estabelecidas. É dar espaço a charlatões que desejam lucro e em certas situações, até aos poderes do mal, que guiarão na direção oposta ao que é justo.

Assim como Tiago de maneira inspirada declarou[12], a falta de sabedoria individual será respondida mediante a busca diligente junto ao Senhor. E dentro das crenças mais essenciais de nossa fé está a de que, qualquer revelação para um grupo de pessoas mais geral, será dada pelo Senhor através de seus líderes inspirados, em especial do profeta da Igreja.

 

Conclusão

 

As menções dos astros nas escrituras são sempre seguidas na mesma observação vista em Gênesis: os astros são testemunhas da criação de Deus, mas não as influenciam[13]. Podem ser sinais previamente determinados pelos profetas[14], mas a menos que especificamente assim determinados por divina revelação, não possuem nenhum significado ou interpretação para dar a respeito do ser humano ou sobre a humanidade.

A astrologia foi uma prática realizada pelas civilizações humanas quando lhes faltava conhecimento tanto científico, quanto espiritual. Teve certa serventia por auxiliar na construção de calendários e na acumulação de dados astronômicos. Não possui, contudo, nenhuma validade real, o que é atestado tanto pela experimentação, quanto pela doutrina do Evangelho.

O maior conselho para aqueles, principalmente membros da Igreja, que se interessam por astrologia ou pela leitura de horóscopos, é que abandonem tal interesse. No mínimo, essa busca roubará tempo e esforço precioso que poderiam ser utilizados de maneira mais produtiva. Para realmente compreender os mistérios de Deus, não há vias régias. É necessário seguir o conselho de Doutrina e Convênios:

E como nem todos têm fé, buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria; sim, nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé.[15]


 


 

 

 

Referências

 

1. CAMPION, N., “Astrology and Popular Religion in Modern West”;

2. Uma pesquisa informal realizada nas redes sociais, envolvendo cerca de 150 membros da igreja de todas as partes do Brasil, mostrou que somente 5,4% deles acreditam na astrologia ou em suas previsões.

3. Koch-Westenholz; Ulla; “Mesopotamian astrology”, Vol.19, CNI publications. Museum Tusculanum Press, 1995.

4. A referência é feita como se o sol se movesse, porque os babilônicos eram geocêntricos – acreditavam que a terra era imóvel e tudo mais se movia a seu redor;

5. MOSLEY, M.; “The Story of Science - What is out there”, 2019.

6. http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2011/01/existencia-de-uma-13-constelacao-muda-o-horoscopo-que-conhecemos.html , acesso em 23 de junho de 2019.

7. UFRGS – Depto. de Astronomia; Tópico: Precessões dos Equinócios; http://astro.if.ufrgs.br/fordif/node8.htm, acesso em 23 de junho de 2019.

8. Revista Superinteressante: “Verdades Inconvenientes sobre a Astrologia”, 2019 - https://super.abril.com.br/ciencia/verdades-inconvenientes-sobre-astrologia/ acesso em 23 de junho de 2019.

9. Gênesis 1:14;

10. Isaías 47:13-15;

11. Daniel 2 – o capítulo completo é bastante instrutivo;

12. Tiago 1:5-6;

13. Alma 30:44;

14. Mateus 2:1-12;

15. Doutrina e Convênios 88:118;


 


 


 



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