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Como Preparar um Discurso Eficaz

Como Preparar um Discurso Eficaz

Uma das maravilhosas bençãos e privilégios que os Santos dos Últimos Dias possuem como membros da Igreja é não somente serem nutridos semanalmente pela boa palavra mas também ter a oportunidade de compartilhar seus pensamentos, experiências e conhecimento através de aulas, seja ensinando ou comentando, e discursos.

Muitos porém, frequentemente se sentem incapazes de aceitar designações e em alguns casos perdem oportunidades de fortalecer seus testemunhos e de outros, por pensarem que não são aptos ou não possuem conhecimento suficiente para ensinar sobre o Evangelho. De fato, uma das maravilhosas verdades que o Evangelho nos dá a conhecer é o princípio de que todo e qualquer membros, novo ou idoso, rico ou pobre, profissional ou amador, pode e está plenamente apto a compartilhar aquilo que acredita.

Com o objetivo de ajudá-los nesse processo de desenvolvimento de um discurso, gostaríamos de comentar e dar algumas sugestões do que fazer (e não fazer) quando convidado a discursar na Igreja.

O que é preciso saber ANTES de compartilhar seu discurso?

1. Tempo disponível
2. Tópico
3. Objetivo do discurso

Processo de preparação do discurso

Oração

O primeiro princípio a ser compreendido é que não é você o professor quando está discursando. Devemos orar pedindo ao Senhor inspiração para que Ele ensine, através de nós. Moisés, um dos maiores profetas de todos os tempos orou a Deus para que o ajudasse a falar:

Ah, meu Senhor! eu não sou homem eloqüente, nem de ontem nem de anteontem, nem ainda desde que tens falado ao teu servo; porque sou pesado de boca e pesado de língua. (Êxodo 4:10)

Estudo

Procure ideias em diferentes fontes da Igreja para obter diferentes perspectivas de um mesmo assunto. Liahonas, Escrituras, Hinos, vídeos e site da Igreja são ótimas opções para encontrar citações e diferentes aspectos de um mesmo assunto. 

O Senhor declarou em D&C 11:21:

Não procures pregar minha palavra, mas primeiro procura obter minha palavra e então tua língua será desatada; e então, se o desejares, terás meu Espírito e minha palavra, sim, o poder de Deus para convencer os homens.

Objetivo

Tenha em mente um objetivo específico para seu discurso. Definir princípios do evangelho é sempre útil, porém uma mensagem será sempre melhor absorvida quando esta for aplicada de maneira prática na vida daqueles que ouvem. Se falamos sobre fé, podemos por exemplo levantar questões sobre por que em alguns momentos nos sentimos fracos espiritualmente. Se falamos sobre dízimo podemos dar exemplos de como problemas financeiros podem testar nossa fé com tal mandamento. 

Raramente somos tocados ou nos lembramos de mensagens que não nos fizeram refletir sobre algum aspecto de nossa própria vida. Ao discursar, defina de maneira clara em que direção deseja ir e então explore aquele assunto, aplicando de maneira pessoal exemplos na vida dos ouvintes.

Coerência

Todo discurso ou aula compartilhada na Igreja precisa possuir um início, meio e fim. Embora não haja uma regra exata de como isso deve ser feito, bons oradores normalmente mantém uma sequência lógica de eventos e argumentos de um discurso, de maneira introduzir um assunto, definí-lo, explorá-lo de maneira mais profunda, compartilhar experiências e testificar.

Os 7 mandamentos ao compartilhar um discurso

1. Introdução do discurso

Evitem iniciar o discurso descrevendo o processo de como foram chamados a discursar, onde estavam, quanto tempo tiveram para preparar, mencionar que estão nervosos, que foram chamados dez minutos atrás ou revelar o tópico de seus discursos. Algumas das principais razões:

- Os momentos iniciais de seu discurso serão sempre mais eficazes caso se esforçe a oferecer algo que chame atenção dos ouvintes. 
- Seu discurso deve ser claro de maneira a tornar desnecessário a menção do tópico que está falando.

2. Tornar a mensagem compreensível a todos

Escreva seu discurso de maneira a ser de fácil compreensão tanto para membro como não membros. Adapte expressões ou exemplos de maneira a tornar possível que até o mais leigo dos ouvintes possa compreender. Até mesmo as doutrinas mais maravilhosas do Evangelho podem parecer confusas e estranhas a pesquisadores, quando estas não são apresentadas de maneira clara.

Pense por exemplo em o que pesquisador que visita a Igreja pela primeira vez irá entender se ouvir o discursante falar que foi ao templo para batizar o avô falecido. As vezes o que é claro para você pode não ser tão claro para outras pessoas.

3. Sempre focalize em Cristo. 

2 Néfi 25:26 ensina: E falamos de Cristo, regozijamo-nos em Cristo, pregamos a Cristo, profetizamos de Cristo e escrevemos de acordo com nossas profecias, para que nossos filhos saibam em que fonte procurar a remissão de seus pecados.

Não importa qual seja o tema, o foco de nosso discurso deve ser sempre relacionado a como podemos nos tornar mais semelhantes a Cristo. Prepare seu discurso de maneira a estabelecer esse paralelo.

4. Utilize perguntas

Perguntas podem ajudar ouvintes a refletirem sobre questões e compreenderem que não são os únicos a passarem por uma determinada situação ou provação. O Manual "Pregar Meu Evangelho" possui um capítulo inteiro dedicado a ajudar missionários e membros a aprenderem tecnicas que unidas ao Espírito Santo, tornará sua mensagem em uma poderosa fonte de força e inspiração.

5. Respeite o tempo que lhe foi concedido

Em sua preparação, certifique-se de que seu discurso obedecerá o tempo que lhe foi designado. Pode ser desagradável preparar uma mensagem de 15 minutos, e ter que comprimí-la em 5 porque o discursante anterior ultrapassou o tempo designado. Lembre-se que outros, assim como você, se prepararam para compartilhar 100% de suas mensagens e não apenas partes dela.

6. Cuidado no uso de histórias

Histórias são sempre bem vindas para criar analogias que ajudem ouvintes a compreender aspectos do Evangelho, porém devemos nos atentar para alguns aspectos que podem tornar o uso de uma história ineficaz e prejudicar o Espírito da reunião. Cristo utilizava parábolas para ensinar o Evangelho. Uma diferença fundamental entre parábolas e fábulas, é o fato de que parábolas possuem elementos de um contexto real e familiar ao ouvinte. Historinhas onde animais e objetos falam ou onde situações irreais são apresentadas para ensinar princípios do Evangelho são absolutamente ineficientes. A leitura de longas histórias também pode ser cansativa ao ouvinte, fazendo com que a atenção seja facilmente desviada.

7. Nem toda experiência deve ser compartilhada em um discurso

Experiências pessoais são recursos poderosos no processo de conversão. No entanto algumas experiências simplesmente não devem ser compartilhadas em um ambiente como uma reunião sacramental. Algumas experiências comentamos apenas no templo, outras apenas com algumas pessoas e em alguns casos, o Senhor nos revela coisas sagradas que devem ser guardadas e não compartilhadas corriqueiramente, a menos que o Espírito Santo nos conduza a fazer.

Reunião de Testemunhos

Outra ocasião onde membros e pesquisadores da Igreja tem a oportunidade de serem edificados e sentirem a prensença do Espírito Santo é a Reunião de Testemunhos, realizada normalmente todo primeiro Domingo de cada mês. Entretanto, é importante notar que até mesmo um testemunho, que por natureza tem o objetivo de edificar, pode ter um efeito contrário, caso o foco principal ao compartilhá-lo seja perdido.

Apesar de um testemunho ser uma expressão individual de sentimentos e convicções pessoais, seguir algumas dicas básicas pode ajudar membros da Igreja a aprender como se expressar melhor e contribuir para reuniões mais espirituais e edificantes. 

O que evitar ao compartilhar um testemunho?

1. Cuidado com o uso do tempo: Embora não exista um limite de tempo específico determinado ao compartilhar um testemunho, membros da Igreja devem sempre se esforçar para serem breves e objetivos. Não raramente, membros da Igreja perdem a oportunidade de prestar seus testemunhos porque grande parte do tempo foi utilizado por uma quantidade relativamente pequena de pessoas. Quanto mais longo for um testemunho, maior será a tendência de ouvintes perderem o foco ou distraírem-se durante a mensagem. 

2. Contar histórias: Poucas coisas são tão impróprias ao compartilhar um testemunho como a utilização de histórinhas ou fábulas para ilustrar princípios do Evangelho. O site oficial da Igreja define testemunho como "uma certeza espiritual dada pelo Espírito Santo" que nos trás a convicção da veracidade do evangelho, missão de Cristo e autoridade de seus servos. Em outras palavras, prestar um testemunho é compartilhar as razões pessoais que o leva por experiência a crer na mensagem e poder do Evangelho.

3. Cuidado com o uso de experiências: Como mencionado anteriormente, experiências pessoais são sempre bem vindas, mas é preciso entender que algumas experiências espirituais ou pessoais simplesmente não devem ser compartilhadas no púlpito. Em alguns casos, a natureza sagrada de tais experiências não deve ser feita pública, em outros casos, algumas experiências simplesmente não são relevantes e podem prolongar desnecessariamente a mensagem, prejudicando a espiritualidade da reunião.

4. Eu sei.. Eu sei... Eu sei...: Uma característica amplamente presente na cultura dos Santos dos Últimos Dias é o comum hábito de prestar testemunhos declarando saber que algo é verdadeiro. Naturalmente não há nada errado nisso. Entretanto, um testemunho sincero sempre terá um poder convertedor muito maior se não apenas for declarado "o que" você sabe, mas "como" você veio a obter tal testemunho. Relembrando, testemunho é uma certeza espiritual e o ato de compartilhar sentimentos, e não apenas uma repetição de frases de efeito. 

O Presidente Spencer W. Kimball ensinou:

"Um testemunho não é exortação; um testmunho não é um sermão; . . . não é um relato sobre viagens . . . . é só dizer o que sente no íntimo. Isto é testemunho. No momento que os irmãos começarem a pregar aos outros, seu testemunho terminará. Digam-nos o que sentem, o que a mente, o coração e toda fibra de seu ser lhes dizem."[1] 

D&C 46:13,14 ensina que a "alguns é dado saber", enquanto a outros é dado o dom de "crer nas palavras". Se você não possui o testemunho de um certo princípio e ainda sente-se incapaz de dizer "EU SEI", não há absolutamente problema algum em apenas "CRER". Apegue-se e compartilhe as coisas que sabe e que crê, ao invés de testificar saber princípios que ainda está trabalhando para viver. 

Testemunho de Crianças

Entre as comuns práticas entre membros da Igreja em reuniões de testemunho se encontra o fato de crianças de idades variadas também poderem prestar seus testemunhos. Nada é motivo de mais orgulho para Pais membros da Igreja do que verem seus filhos desde pequenos progredindo espiritualmente. Com o desejo de dar aquele "empurrãozinho" em sua fé, não raramente pais acompanham seus filhos até o púlpito e os incentivam a repetir frases que visam ensiná-los a prestarem seus testemunhos e expressarem seus sentimentos.

Embora este seja um ato nobre de pais que realmente se preocupam com o bem estar espiritual de seus filhos, líderes da Igreja recomendam que tal momento de aprendizagem seja feito em diferentes ocasiões. O Manual de instrução da Igreja, sobre isso fala:

"Seria mais apropriado que as criancinhas aprendessem a prestar testemunho na noite familiar ou ao fazer discursos na Primária até que tenham idade suficiente para fazê-lo na reunião de jejum e testemunhos sem a ajuda dos pais, de um irmão ou de outra pessoa." [2] 

Por mais bonito que o ato de uma criança prestando testemunho possa ser, o poder de tal ato se torna muito mais sincero e inspirador quando as palavras partem de seu coração, ao invés de sussurros de seus pais em seus ouvidos. Reuniões da Igreja são de fato momentos importantes para ensinar uma criança. No entanto, o local insubstituível onde todo aprendizado deve ter início ainda continua a ser no dia a dia entre as paredes de nosso próprio lar.

Hábitos comuns a serem evitados

Embora não seja um erro propriamente dito, devemos ficar atentos para não desenvolver certos hábitos ao discursar que podem diminuir o impacto daquilo que tentamos transmitir. Alguns hábitos comuns de oradores:

"Eu deixo esse discurso, testemunho, oração em nome de..." O mais apropriado nesses casos seria dizer "Eu compartilho esse..."

"Tem uma escritura que eu gosto muito(...)" O discurso fluirá de maneira mais natural e consistente se ao invés disso citarmos "O profeta fulano falou sobre isso em tal versículo dizendo..."

"Eu não poderia deixar de prestar meu testemunho..." 

"Eu realmente sei que..."

Tais expressões são comuns no dialeto Mórmon, porém podem diminuir o impacto do que se diz em seguida, quando repetidamente utilizadas.

Naturalmente, há muitas maneiras diferentes de se transmitir uma mensagem. No entanto, mais importante do que tecnica utilizada e conhecimento sobre o assunto é a presença do Espírito Santo em nossas palavras. Ao viver de acordo com nossas crenças, nossas ações falarão mais alto do que nossas palavras, no convite a todos para "Virem a Cristo e serem aperfeiçoados Nele" (Moroni 10:32).

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Fontes:

[1] Teachings of the Presidents of the Church: Spencer W. Kimball [Os Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Spencer W. Kimball](Salt Lake City: The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints [A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos últimos Dias], 2006), 76-77
[2] Manual de Intrução 2; Reunião de Jejum e Testemunhos: 18.2.3 (https://www.lds.org/handbook/handbook-2-administering-the-church?lang=por)

Escrito por: Luiz Botelho em 14/11/2014




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COMENTÁRIOS

Ícaro Caipú Mendes em 10/08/2015

Texto excelente. Apenas gostaria de fazer apenas duas colocações sobre \"Os 7 mandamentos ao compartilhar um discurso\": 1) No 4º tópico, \"Utilizar perguntas\", é preciso deixar claro que não é adequada a interação com o público durante um discurso. As interações são destinadas para serões, aulas, treinamentos, reuniões não sacramentais ou atividades onde esta dinâmica possa ser usada. As perguntas citadas pelo autor se referem ao uso delas como suporte ou base ao que será ou foi dito: Ex.: \"Muitas pessoas se questionam e perguntam: Qual o propósito da vida?\". Ao fazer uma pergunta (ou preparar o discurso se baseado em uma pergunta), a resposta é o ponto mais importante e precisa ser respondida, tanto para a congregação quanto para o orador; 2) Acrescentaria ao texto a postura do orador. Muitas pessoas ficam nervosas ao dar discurso e terminam por se \"descontrair\" além do que deveriam. O discurso é um momento sagrado que pode sim ter algo \"engraçado\" (seguindo o humor dos discursos dos apóstolos), mas ficar contando piadas ou história hilariantes realmente não é apropriado. A postura quanto à distância do microfone também é importante, pois as pessoas tendem a \"dormir\" ou \"acordar\" de acordo com seu tom de voz e/ou distância do microfone. Outra postura é sobre o uso de objetos (se não me engano existe uma carta oficial da igreja explicando o assunto - Presidência Geral ou da Área Brasil). Os objetos podem ser utilizados como recurso didático-pedagógico, próprios para praticamente qualquer lugar e ocasião, desde que não seja durante a Reunião Sacramental. Se todos os oradores levarem um objeto para mostrar e fazer analogias e/ou comparações a reunião vai virar uma bagunça! Só para exemplificar, já ví até um membro levar um penico e mostrar para a congregação para \"ensinar\" um princípio! A mensagem do discurso foi realmente boa, mas confesso que a visão do objeto sobre o púlpito sagrado foi bem perturbadora! Mais uma vez, o texto do autor é excelente. Estas colocações são apenas para complementar e ajudar os demais que chegaram até aqui com sua busca e aprendizado em Como Preparar um Discurso Eficaz. Abraço a todos e SÓ ALEGRIA! :D

jose f. cunha em 02/08/2015

eu gostei muito vou usar no meu dia dia obrigado.

Israel Wagner Ferreira Pinto em 23/06/2015

Muito bom,gostei em especial a parte sobre como compartilhar nosso testemunho.

Eduardo Miranda em 16/04/2015

Muito bom o ponto de vista com respeito aos modos de como se preparar um discurso. Com respeito as frases montadas, acho que isso existe muito em função dos missionários que estão aprendendo nossa língua. Vejo que copiamos muitos em sua maneira de falar, gírias e coisas mais. Mas excelente teu ponto de vista.

NILZABETE DINIZ em 12/04/2015

MUITO BOM...

Jefferson Tenório Galvão em 10/04/2015

Muito bem, o texto é perfeito.

Tomaz AC Moreira em 16/02/2015

obrigado por sua iniciativa em compartilhar

Douglas Fundão em 15/02/2015

Ótimo tópico! Parabéns pelo trabalho! D&C 88:81 É sempre bom encontrar sites como este, que, mesmo não sendo oficiais, ainda assim podem contribuir para a inspiração e edificação da fé. Que o Senhor o abençoe e continue a iluminar sua mente enquanto busca trabalhar em Sua obra.

Iran Araujo dos Santos em 30/12/2014

Gostei de muitas ! pois foi esclarecedor como se devem dar um discurso!, pois o discursante aprende mais que ensina!, 30/12/2014

ivete cassenote em 28/12/2014

Muito bon ,me ajudou a ver melhor o que preciso melhorar.

walfrido em 27/12/2014

Excelente abordagem. Ajudou-me a repensar minha maneira de ensinar na igreja. Aguardo novos tópicos!


Luiz Botelho

Fico feliz que o artigo tenha sido útil de alguma forma Walfrido. Grande abraço!

Evaldo em 17/11/2014

Que dicas maravilhosas!!! Obrigado!!!