Grafometria, Hebraísmo e Quiasmos - Evidências do Livro de Mórmon | Intérprete Nefita
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Grafometria, Hebraísmo e Quiasmos - Evidências do Livro de Mórmon

Grafometria, Hebraísmo e Quiasmos - Evidências do Livro de Mórmon

Não importa qual é a sua idade, etnia ou classe social, se você é um Santo dos Últimos Dias, cedo ou tarde se deparará com situações onde sua fé ou perspectiva sobre o Evangelho será questionada. Possuir um testemunho sólido do Evangelho nessas horas pode ser útil, mas com o decorrer do tempo, aprendi que o conhecimento secular, quando unido às verdades espirituais do Evangelho, criam um ambiente edificante, onde a fé deixa de ser apenas um vago desejo de acreditar e passa a ser fundamentada em informações que podem ser analisadas, testadas e sentidas.

O Teólogo e Filósofo Austin Farrer sobre isto declarou:

"Apesar de argumentos não criarem convicções, a ausência de argumentos destrói a crença. O que parece ser provado talvez não seja seguido; Mas aquilo o qual ninguém demonstra a capacidade de defender é rapidamente abandonado. Argumentos racionais não produzem fé, mas mantém um ambiente no qual a fé pode florescer".[1]

Com esse plano de fundo, compreendemos que o conhecimento secular não tem o objetivo ou até mesmo a capacidade de provar a veracidade dos assuntos espirituais, mas promover uma atmosfera onde nossas convicções espirituais possam ser fortalecidas. Examinaremos nesse artigo 3 evidências persuasivas que não provam, mas fortalecem significativamente a veracidade e autenticidade d'O Livro de Mórmon como escritura sagrada.

1. Grafometria e "Impressões Digitais" no Livro de Mórmon

Por mais de 16 anos (1978-1995), Theodore Kaczynski foi um dos assassinos em série e terroristas mais procurados dos Estados Unidos. Tendo sido bem sucedido por muito tempo em escapar da polícia, autoridades locais e até mesmo do FBI, Theodore finalmente foi capturado e seu objetivo anarquista finalizado.[2] Embora a história de Theodore Kaczyinski seja marcada por ódio e horror, a tecnica utilizada para identificá-lo como o autor dos atos de terrorismo é no mínimo impressionante. 

Em 1995, Theodore Kaczinsky exigiu que um documento escrito à mão fosse publicado em diversos jornais renomados, "alertando" à população dos perigos da tecnologia, o qual ele repudiava. Na esperança que alguém pudesse reconhecer seu padrão de escrita a fim de indentificar o terrorista, canais de comunicação como o "The New York Times" e "Washington Post" publicaram o documento de Kaczinsky, e para a surpresa de muitos, em Abril de 1996, o terrorista foi finalmente identificado e preso. Que tipo de tecnica foi utilizada?

Tendo em mãos o documento escrito por Kaczinsky, o FBI contatou John Hilton, professor de estatísticas da Universidade Brigham Young. A questão é inevitável... por que o FBI procuraria um professor de estatística para determinar a autoria de um manuscrito? A resposta é Grafometria. 

Assim como cada pessoa possui uma impressão digital única que os identifica, escritores possuem padrões de escrita únicos que os diferenciam de outros escritores. A tecnica utilizada para encontrar os rastros deixado em um manuscrito e identificar seus autores é chamada Grafometria, e é frequentemente utilizada pela polícia na tentativa de solucionar crimes.

Grafometria e o Livro de Mórmon

Sob a acusação de que Joseph Smith ou Oliver Cowdery eram os autores do Livro de Mórmon, John Hilton e outros estudiosos membros e não membros da Igreja decidiram aplicar as tecnicas de Grafometria ao texto do Livro de Mórmon, a fim de comparar o padrão de escrita do livro, com o padrão de escrita de Joseph e Oliver. Se tal estudo demonstrasse similaridades no padrão de escrita de Joseph ou Oliver com Néfi ou Alma por exemplo, uma evidência de fraude no Livro de Mórmon seria identificada.

Tais similaridades entretanto jamais foram encontradas. O estudo demonstrou não apenas que Joseph e Oliver não eram os autores do Livro de Mórmon, mas atestou o fato de que O Livro de Mórmon foi escrito por múltiplos autores, devido ao diferente padrão de escrita de cada autor do registro, ou como o Prof. John Hilton explicou:

"Imagine que o padrão de escrita de cada autor estivesse inserido em um gráfico. O padrão de escrita de cada pessoa ocupa uma posição específica no gráfico. Se você possuísse um documento escrito por Oliver Cowdery, seria absolutamente claro que tal documento foi escrito por ele e não por outra pessoa."[3]

Em outras palavras, Grafometria é uma tecnica autêntica utilizada até mesmo pelo FBI, que foi empregada em uma análise do texto do Livro de Mórmon e estatisticamente oferece forte evidência de que Joseph Smith não escreveu o Livro de Mórmon.

2. Hebraísmo no Livro de Mórmon

Se você já teve a oportunidade de conhecer um americano em suas primeiras tentativas de se comunicar em Português, provavelmente deve ter ouvido frases como, "Eu estar com fome", "Posso ter um copo de água?", "Eu gostar minha companheiro" ou algo do tipo.

Isso acontece porque ao aprender um novo idioma, existe em todas as pessoas uma tendência natural de utilizar a estrutura de seus próprios idiomas, no idioma que se deseja aprender e falar. Ao passo que em Português falamos "Você poderia fazer a oração?", em Inglês o verbo "fazer" jamais poderia ser utilizado em conjunto com "oração", sendo o correto "Você poderia dizer a oração?".

Nos primeiros versículos do Livro de Mórmon, o profeta Néfi declara:

"Sim, faço um registro na língua de meu pai, que consiste no conhecimento dos judeus e na língua dos egípcios."[4]

De maneira similar aos exemplos mencionados, se O Livro de Mórmon foi de fato escrito por Judeus que estavam amplamente familiarizados com o idioma Hebraico, seria de se esperar que encontrássemos a estrutura e forma de pensar do idioma Hebraico, denominados Hebraísmos, em seus registros escritos. Uma análise ao texto do Livro de Mórmon surpreendentemente indica a existência de uma infinidade de exemplos de Hebraísmos. [5] Analisemos alguns destes exemplos:

* Em 1 Néfi 8:2 Leí diz, "Eis que sonhei um sonho".

Sério? O que mais poderia ter Leí sonhado? Embora a expressão "sonhar um sonho" soe como um pleonasmo (algo como subir pra cima, descer para baixo, entrar pra dentro, etc), esta é exatamente a forma com que a frase seria escrita em Hebraico.

* Em Helamã 3:14 lemos:

"Mas eis que uma centésima parte dos feitos deste povo, sim, a história dos lamanitas E dos nefitas E suas guerras E contendas E dissensões; E de suas pregações E de suas profecias; E de suas viagens marítimas E construção de barcos; E construção de templos E de sinagogas E seus santuários; E de sua retidão E suas iniqüidades E seus assassinatos E seus roubos E suas pilhagens E todo tipo de abominações E libertinagens, não pode ser incluída nesta obra."

Mesmo possuíndo apenas 3 anos de educação formal, Joseph Smith provavelmente saberia que não se deve utilizar todos aqueles "e" para unir os diversos itens da frase. Quando incluímos uma lista de itens ou eventos em uma frase, naturalmente separamos cada item apenas com uma vírgula, sem a necessidade da repetição da conjunção "e".

Entretanto, como o idioma Hebraico não possui vírgulas, a repetição do "e" é exatamente a forma correta de se unir os itens da frase. Algo que certamente Joseph Smith não saberia.

* Em 2 Néfi 5:10 lemos:

"E esforçamo-nos por guardar os juízos e os estatutos e os mandamentos do Senhor em todas as coisas, de acordo com a lei de Moisés."

Novamente vemos uma repetição de palavras (e os), incomum tanto em Inglês como em Português, mas absolutamente comum em Hebraico. Alguns outros de muitos exemplos de Hebraísmos presentes no Livro de Mórmon podem ser encontrados em: 1 Néfi 17:45, Mosias 24:22, Alma 22:6, Alma 5:40, 3 Néfi 9:10, 3 Néfi 30:2, etc.

Assim como um americano não diria "Posso ter um copo de água", a menos que estivesse pensando em Inglês, tais exemplos de Hebraísmos não estariam no texto, a menos que os autores estivessem pensando em Hebraico. Hebraísmos definitivamente não provam de maneira conclusiva a autenticidade do Livro de Mórmon, mas suas aparições novamente fortalecem o relato de Joseph de que o livro é exatamente o que clama ser.

3. Quiasmos e linguagem poética no Livro de Mórmon

Ao relembrar os variados estilos poéticos que estudei enquanto adolescente, recordo-me de me divertir com um estilo específico denominado "Acrósticos". Poemas Acrósticos são formados a partir de uma palavra na vertical, onde se utiliza cada letra para o início de uma frase. Um exemplo de Acróstico:

Estudante do Evangelho que deseja
Levar ao mundo a verdade a respeito de
Deus o Pai, Seu filho Jesus Cristo e o
Espírito Santo para assim
Reunir as ovelhas do rebanho

De fato minha habilidade de escrever poesia não é surpreendente, mas espero que tal exemplo o ajude a compreender o que é um Acróstico e o simples fato de que é absolutamente improvável escrever um Acróstico acidentalmente.

Outro estilo de poesia existente em diversas culturas antigas, incluindo a Hebraica, é conhecido como "Quiasmos".[6] Quiasmo é um estilo poético baseado em uma sequência de frases que conduzem a um tema central e em seguida retornam à sequência de frases de maneira inversa. Algo como:

Frase A
___Frase B
______Frase C
_________Ponto Principal
_________Ponto Principal
______Frase C
___Frase B
Frase A

O Livro de Mórmon contém dezenas de exemplos de Quiasmos, e em alguns casos, como Alma 36, encontramos um capítulo inteiro como um imenso Quiasmo. Mosias 5:10-12 contém um exemplo de Quiasmo que pode nos ajudar a compreender na prática essa estrutura poética:

A. E então acontecerá que aquele que não tomar sobre si o NOME de Cristo
__B. deverá ser CHAMADO por algum outro nome; 
____C. portanto se encontrará à MÃO ESQUERDA de Deus.
_______D. E quisera que também vos LEMBRÁSSEIS de que este é o NOME
__________E. que eu disse que vos daria e que nunca seria APAGADO,
_____________F. a menos que o fosse devido a TRANSGRESSÃO;
_____________F. portanto tomai cuidado para não TRANSGREDIRDES,
__________E. a fim de que o nome não seja APAGADO de vosso coração.
_______D. Digo-vos: Quisera que vos LEMBRÁSSEIS de conservar sempre o NOME
____C. escrito em vosso coração, para que não vos encontreis à MÃO ESQUERDA de Deus,
__B. mas para que ouçais e conheçais a voz pela qual sereis CHAMADOS
A. e também o NOME pelo qual ele vos chamará.

Da mesma forma que você e eu, jamais escrevemos um Acróstico acidentalmente, é extremamente improvável que os Quiasmos existentes no Livro de Mórmon tenham sido produzidos acidentalmente e ainda mais improváveis que Joseph tivesse conhecimento deles. Mais uma vez, Quiasmos não provam a autenticidade do Livro de Mórmon, mas nos dão mais uma razão para acreditar em sua autenticidade e historicidade.

Conclusão

Sendo um dos livros mais impressos, lido, amado, odiado e atacado de todos os tempos, O Livro de Mórmon permanece firme e seus conselhos mais modernos do que nunca. Conhecer as evidências que o apoiam não produzem fé, mas pode fortalecer os fundamentos de nosso testemunho e nos ajudar a compreender que a fé tende a tornar-se mais forte quando unida ao conhecimento racional do Evangelho.

Unir a verdadeira fé à verdadeira razão é uma jornada de mil milhas, cujo primeiro passo sempre terá início com um coração quebrantado e joelhos no chão em uma sincera oração.

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Fontes:

[1] Austin Farrer, "Grete Clerk," in Light on C. S. Lewis, comp. Jocelyn Gibb (New York: Harcourt and Brace, 1965)
[2] Chase A (2000-06-01). "Harvard and the Making of the Unabomber". The Atlantic Monthly. pp. 41–65.
[3] John Hilton; "Comparative Power of Three Author-Attribuition Techniques for Differentiating Authors", Journal of Book of Mormon Studies 6, no. 1 (1997)47-65
[4] 1 Néfi 1:2
[5] Donald W. Parry, "Hebraisms and Other Ancient Peculiarities in the Book of Mormon," in Echoes and Evidences, 176–77
[6] John W. Welch, Chiasmus In Antiquity: Structures, Analyses, Exegesis (Provo, Utah: FARMS, Research Press, 1981[1989])

Escrito por: Luiz Botelho em 20/04/2015




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COMENTÁRIOS

Edson José Martins Lopes em 09/11/2016

Caro Luiz, parabéns pela clareza e pelo didatismo do artigo. Eu "cometi" alguns artigos acadêmicos sobre o assunto e os publiquei em periódicos científicos brasileiros. Tive o privilégio de conhecer o Dr. John Welch, que graciosamente me recebeu na sede do FARMS quando eu escrevia minha dissertação de mestrado, "The Translation of Religious Literature: Different Tastes, Different Texts", nos anos 1980. Não que minha produção acadêmica possa acrescentar algo ao seu rico e diversificado universo, mas apenas indico a existência desse material para a eventualidade de alguém se interessar. É uma colaboração despretenciosa, uma soma de esforços em uma área rarefeita de interesse fora de nossos círculos. Eu esperava interessar pessoas no mundo acadêmico para a Igreja e para as boas novas da Restauração, mas me parece terem sido infrutíferos meus esforços. De qualquer forma, googlando meu nome serão indicados alguns dos mencionados artigos. Obrigado.


Luiz Botelho

Olá Edson,

Obrigado por seu contato e feedback. Por favor, entre em contato comigo pelo formulário de contato do site. Seria um prazer conhecer mais sobre seu trabalho.

Grande abraço!

Felipe Sousa em 07/02/2016

Para isso é uma confirmação da verachidade sol livro de mormon.

ELEONORA em 28/04/2015

PARABÉNS LUIZ!! GOSTEI MUITO ,POIS APRENDI ALGO NOVO,MUITO INTERESSANTE EQUE ME FEZ REFLETIR!! REALMENTE AJUDA MUITO O CONHECIMENTO INTELECTUAL ,PRINCIPALMENTE QUANDO TEMOS O SINCERO DESEJO DE APRENDER ! SEMPRE PENSEI ASSIM ,FÉ E CONHECIMENTO NOS AJUDA A COMPREENDER MELHOR O AMOR DE DEUS E NOS APROXIMA DELE !!

Hamilton em 24/04/2015

Ótimo artigo, já ouvi sobre essas técnicas que ajudam a evidenciar a autencidade do Livro de Mórmon, porém não havia lido na íntegra. Simplesmente amei. Obrigado

Rogério Santos em 23/04/2015

Muito esclarecedor seu artigo!

Max em 20/04/2015

Ótima matéria, formidável parabéns pelo aparato de informações e gostei muito sobre unir fé e conhecimento me lembrou muito do arqueólogo Rodrigo Pereira da Silva, com sua frase esplendida “A fé é racional, senão não é fé, é fideísmo” Grande abraço , sucesso.

Marcel Medeiros em 20/04/2015

Ótimo artigo.