Como Harmonizar o Criacionismo Bíblico Com a Teoria da Evolução? | Intérprete Nefita

Como Harmonizar o Criacionismo Bíblico Com a Teoria da Evolução?


Por Luiz Botelho 09 de Setembro de 2018
Como Harmonizar o Criacionismo Bíblico Com a Teoria da Evolução?

PERGUNTA:

Como associar a teoria científica da evolução com o criacionismo bíblico quando eles divergem completamente no entendimento de como a vida se desenvolveu na terra?

RESPOSTA:

Esse é certamente um dos conflitos mais relevantes no que diz respeito ao debate contínuo entre ciência e religião. Parte desse conflito se inicia com um mal entendimento do que a teoria da evolução ensina e parte de uma tendência em interpretarmos literalmente escrituras que não foram escritas com esse propósito.  
 
Diante do aparente conflito entre evolucionismo e criacionismo um indivíduo geralmente se depara com o que a filosofia descreve como a falácia do falso dilema, que acontece quando 2 alternativas são apresentadas como se fossem as únicas opções. Tais posições são: 
 
A. Posição religiosa tradicional: 
 
As escrituras ensinam que Deus criou cada animal de maneira separada e que eles se multiplicaram segundos suas espécies. Portanto, a teoria da evolução não pode estar correta. 
 
B. Posição cética tradicional: 
 
A teoria da evolução possui muitas evidências e pode ser comprovada em diferentes áreas de estudo. Portanto, o criacionismo bíblico não pode estar correto. 
 
Na posição religiosa tradicional encontramos os seguintes problemas: 
 
a. A crença tradicional tende a atribuir quase total literalidade ao registro escriturístico, quando frequentemente aceitamos partes dele como simbólicos. Ex: a serpente falando, a mulher sendo criada através de uma vértebra do homem, o homem sendo criado do barro, etc. 
 
b. A crença tradicional ignora e classifica como falsa qualquer evidência científica que demonstre apoio à evolução das espécies. 
 
c. A crença vê o evolucionismo como uma ameaça à Deus, como se a teoria eliminasse a necessidade de um Deus.  
 
Na posição cética tradicional, por outro lado, temos os seguintes problemas: 
 
a. O cético tradicional conclui que a evolução é uma prova de que Deus não existe. 
 
b. O cético também tende a atribuir total literalidade ao registros escriturístico, quando a linguagem poética da época frequentemente se refletia em textos essencialmente simbólicos. 
 
A Igreja oficialmente (e sabiamente) não possui uma posição oficial sobre o assunto, embora muitos de seus líderes tenham adotado uma posição a favor e contrária à teoria. 
 
O Presidente Gordon B. Hinckley atestou esse fato ao declarar:  

"O que a Igreja requer é unicamente a crença de que Adão foi o primeiro homem do que nós chamamos raça humana. Cientistas podem especular sobre o resto."[1]  

Evolução Teísta
 
Embora indivíduos, religiosos ou não, tendam a ver estas duas opções como as únicas, a realidade é que há, de fato, uma terceira opção, adotada tanto por membros da Igreja como por alguns de seus líderes no decorrer do tempo. Tal posicionamento é normalmente chamado de “evolução teísta”, ou em outras palavras, a crença de que a evolução foi o mecanismo natural criado e utilizado por Deus no desenvolvimento das espécies. 
 
Do ponto de vista da teologia da Igreja, a crença na evolução como uma ferramenta natural utilizada por Deus parte dos seguintes princípios: 
 
1. A Igreja não possui posição oficial sobre a teoria da evolução, o que é improvável caso ela a veja como um conceito científico falso e maléfico. 
2. Líderes cientistas da Igreja como James E. Talmage (apóstolo e geólogo), B. H. Roberts (apóstolo e historiador) John Widtsoe (apóstolo e químico), Frederick J. Pack (geólogo e presidente do comitê de doutrina do evangelho) acreditavam e se posicionaram a favor da teoria da evolução.[2] 
3. A ordem de eventos no desenvolvimento da vida descrita em Gênesis é a mesma da descrita na teoria da evolução: A vida surgiu primeiro nas águas, depois na vida réptil e em seguida aves e mamíferos. 
4. Versos escriturísticos como Gên 1:11,24 e Abraão 4:11 parecem fazer mais sentido sob a luz de um Deus cientista, que cria e utiliza leis naturais em seus desígnios, do que um Deus mágico, que simplesmente estala os dedos para criar. 
5. O conceito de evolução é um dos aspectos mais fundamentais do evangelho. O próprio Plano de Salvação descreve como seres evoluem de inteligências primordiais à exaltação, em um processo similar à seleção natural.  
6. Existe, de fato, milhares de evidências científicas de diferentes campos a favor da evolução. 
 
Conclusão 
 
Dessa forma, é importante salientar que a crença na teoria da evolução como um meio utilizado para um fim, não diminui ou elimina o papel de Deus na criação, mas o exalta. Inconsistências são frequentemente encontradas quando dados científicos ou doutrinários são interpretados fora de contexto ou quando adotamos uma crença como premissa inicial ao invés de validá-la à luz das evidências existentes.

Para uma análise completa sobre a teoria da evolução sob uma perspectiva Mórmon, clique aqui.   
 
Referências 
 
[1] Gordon B. Hinckley in 2002; cited in Elaine Jarvik, "Beliefs on Darwin's evolution vary from religion to religion," Deseret Morning News (19 January 2006) 
[2] Uma análise de tais referências pode ser feita no artigo “Mórmons, Macacos e a Teoria da Evolução”, também publicado pelo Intérprete Nefita. 



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