Como pode o Livro de Mórmon conter a Plenitude do Evangelho se ele não ensina nada sobre várias das doutrinas da Igreja? | Intérprete Nefita
Logo

Como pode o Livro de Mórmon conter a Plenitude do Evangelho se ele não ensina nada sobre várias das doutrinas da Igreja?

Como pode o Livro de Mórmon conter a Plenitude do Evangelho se ele não ensina nada sobre várias das doutrinas da Igreja?

Imagem: "To Joseph, From Moroni; Partsch, Lo Helaman. 2016"

Pergunta:

Como pode o Livro de Mórmon conter a "plenitude do Evangelho" se ele não ensina várias das doutrinas básicas da Igreja Mórmon, como batismo vicário, progresso eterno, casamento celestial, graus de glória, etc?

Joaquim, Salvador


Resposta

Olá Joaquim,

Uma das interpretações comuns para a afirmação doutrinária de que O Livro de Mórmon contém a "plenitude do Evangelho" consiste na crença de que o mesmo engloba todas as doutrinas pertinentes à salvação. Tal interpretação, entretanto, é incorreta e não está em harmonia com o significado da palavra "Evangelho" como citado no próprio Livro de Mórmon. A Plenitude do Evangelho se trata do fato de que Jesus Cristo “Veio ao mundo para fazer a vontade do Pai” através de uma Expiação infinita (3 Néfi 27:13:22). O Profeta Joseph Smith ensinou que “os princípios fundamentais de nossa religião estão contidos nos testemunhos dos Profetas e Apóstolos a respeito de Jesus Cristo, que Ele morreu e ressuscitou no terceiro dia, ascendendo então aos céus; e que todas as outras coisas que diz respeito à nossa religião são apenas apêndices disto.”[1]

O Senhor declarou que Ele havia dado a Joseph Smith “poder do alto...para traduzir o Livro de Mórmon; Que contém os registros de um povo decaído, e a Plenitude do Evangelho de Jesus Cristo para os gentios e também para os Judeus.”(D&C 20:8-9). Críticos afirmam que o Livro de Mórmon não pode conter a “Plenitude do Evangelho” porque não ensina algumas doutrinas específicas da Igreja Mórmon, tal como o batismo pelos mortos, a Palavra de Sabedoria, Os graus de glória, Casamento Celestial, trabalho vicário e a natureza corpórea de Deus o Pai.

A mensagem primária do Evangelho, também chamada de “boas novas” de Jesus Cristo, consiste no fato de que Ele expiou por nossos pecados e preparou para nós um meio pelo qual podemos retornar à presença de Deus o Pai. Esta é a mensagem do Livro de Mórmon, e ele a contém em sua plenitude.

O que significa a palavra “Evangelho”?

Para entender tal questão que aparentemente parece ser uma contradição, é necessário primeiramente compreender o significado da palavra “Evangelho” no contexto da doutrina de Cristo. Quando Jesus Cristo visitou a América, Ele mesmo definiu seu Evangelho:

  13 Eis que vos dei o meu evangelho e este é o evangelho que vos dei — que vim ao mundo para fazer a vontade de meu Pai, porque meu Pai me enviou.
  14 E meu Pai enviou-me para que eu fosse alevantado na cruz; e depois que eu fosse levantado na cruz, pudesse atrair a mim todos os homens, a fim de que, assim como fui levantado pelos homens, assim sejam os homens levantados pelo Pai, para comparecerem perante mim a fim de serem julgados por suas obras, sejam elas boas ou más
  15 E por esta razão fui alevantado; portanto, de acordo com o poder do Pai, atrairei todos os homens a mim para que sejam julgados segundo suas obras.
  16 E acontecerá que aquele que se arrepender e for batizado em meu nome, será satisfeito; e se perseverar até o fim, eis que eu o terei por inocente perante meu Pai no dia em que eu me levantar para julgar o mundo. (3 Néfi 27:13-16)

Nesta passagem, Cristo define o Evangelho como:

- Cristo veio ao mundo para fazer a vontade do Pai
- O Pai enviou Jesus para ser crucificado
- Por causa da Expiação de Cristo, todos os homens serão julgados de acordo com suas obras.
- Aqueles que se arrependerem e forem batizados, será satisfeito (3 Néfi 12:6) 
- Se continuarem com fé perseverando até o fim serão considerados sem culpa
- Se não perseverarem, consequentemente estarão sujeitos à justiça de Deus e estarão fora de sua presença
- As palavras de Deus serão todas cumpridas

Isto é “O Evangelho” e o Livro de Mórmon ensina tais princípios de maneira consistente do começo ao fim. Dessa forma, ao se referir ao Livro de Mórmon como contendo a Plenitude do evangelho, isto não significa que o livro possui todos os ensinamentos da Igreja ou todas as doutrinas pertinentes à salvação, mas que contém a plenitude dos princípios ensinados por Cristo (Fé, arrependimento, Batismo, Espírito Santo e Perseverar até o fim). Tais princípios, consequentemente, são a porta de entrada para as demais ordenanças igualmente necessárias para a salvação. 

O Presidente Harold B. Lee sobre isso afirmou:

"Agora, nossos escarnecedores dizem, 'Como vocês podem dizer que o Livro de Mórmon contém a Plenitude do Evangelho se ele não fala sobre o Batismo pelos Mortos?'. Alguns de vocês podem já ter feito tal pergunta.

Qual é a definição de Evangelho? Permitam-me explicar como o Senhor o define, com estas palavras: “E em verdade, em verdade eu te digo: Aquele que recebe o meu evangelho, a mim me recebe; e o que não recebe o meu evangelho, não me recebe a mim. E este é o meu evangelho: Arrependimento e batismo na água; e depois o batismo do fogo e do Espírito Santo, sim, o Consolador, o qual manifesta todas as coisas e ensina as coisas pacíficas do reino.” (D&C 39:5-6)

Aonde quer exista a restauração do Evangelho, aonde aquelas ordenanças fundamentais e o poder do Espírito Santo estão entre os homens, lá haverá o poder pelo qual o Senhor pode revelar todas as coisas que pertencem ao Reino em detalhe, não percebem? Incluindo o Batismo pelos mortos, o qual ele fez em nossos dias. Isto é o que o Profeta Joseph Smith quis dizer quando foi questionado: “Como a Igreja de Jesus Cristo se difere de qualquer outra Igreja?” e sua resposta foi simples, “Nós somos diferentes de todas as outras Igrejas porque possuímos o Dom do Espírito Santo”."[2]

Abraço,

Intérprete Nefita

Referências:

[1] J.N. Sanders, A Commentary on the Gospel According to St. John, edited and completed by B.A. Mastin (New York, Harper & Row, 1968), 147–148.
[2] History of the Church 4:42