As Profecias do Nascimento de Cristo Contidas em Sua Genealogia - A Bíblia Sagrada | Intérprete Nefita

As Profecias do Nascimento de Cristo Contidas em Sua Genealogia

O apóstolo Mateus, no novo testamento, descobriu significado especial no extenso registro genealógico judeu: foi nele que encontrou evidências da maior profecia do Velho testamento - o nascimento de Cristo.


Por Lukas Montenegro 13 de Dezembro de 2020
As Profecias do Nascimento de Cristo Contidas em Sua Genealogia

Para  a maioria das pessoas, a parte mais cansativa de se estudar as escrituras é tentar extrair algum significado dos capítulos onde se faz extenso registro das gerações desde um determinado personagem ou evento, até outro. A maioria de nós já pensou "para que colocaram isso aqui?", ou então fizemos uma leitura rápida e superficial, ansiosos para chegar nos capítulos mais ricos doutrinariamente. 


Seria impossível advogar que a genealogia é a parte mais interessante das escrituras, mas tentarei mostrar como um apóstolo do novo testamento descobriu significado especial na genealogia. Foi nela que ele encontrou evidência da maior profecia do Velho testamento: o nascimento de Cristo.

Sabemos pelas escrituras que Mateus era um publicano[1]. Puclianos eram judeus que realizavam a coleta de impostos nos territórios de Judá, em benefício de seus opressores romanos. Além de claramente odiados por seus compatriotas, os publicanos eram geralmente pessoas com maior nível de educação do que a população em geral, visto a necessidade para os procedimentos burocráticos com os quais lidavam. Seria razoável de se esperar, então, que publicanos fossem pessoas de maior entendimento e interesse pelas escrituras, os costumes e a lei judaica.


É esse possível interesse de Mateus que é transmitido em seu evangelho. É notório que o Livro de Mateus no novo testamento é um compêndio de histórias da vida de Cristo cujo propósito é único: mostrar o cumprimento das profecias do velho testamento à respeito da vinda do Messias. Encontramos 5 referências do tipo "para que se cumprisse", somente nos dois primeiros capítulos deste livro[2]. 


Com essa ideia-chave em mente, estamos prontos para propor uma questão interessante: Por que dentre todas as incríveis histórias ou testemunhos sobre o Salvador que poderiam ser escritos, Mateus escolheu iniciar seu evangelho com um extenso registro genealogia de Cristo? A reposta agora fica fácil: Ele era uma poderosa evidência de diversas profecias à respeito do Messias, feitas pelos profetas antigos. Aqui abordaremos três principais (mas é possível que você identifique outras):

 

1. Cristo Descendia de Judá

No versículo 2 do primeiro capítulo de Mateus, lemos da ancestralidade de Cristo:


"Abraão gerou Isaque; e Isaque gerou Jacó; e Jacó gerou Judá e seus irmãos".

Em profecia dada por Jacó a seu filho Judá, o patriarca declarou:

"O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se congregarão os povos"[3].


No versículo anterior, Jacó refere-se à Judá como "o leão". O fato de Cristo nascer através da linhagem de Judá é significativo e não seria perdido por Mateus. O leão é símbolo da realeza, e o governo estaria nas mãos de Judá. Fato é que, de todas as 12 tribos, Judá foi a única a manter algum tipo de poder político até os tempos do Salvador. Nisso, já se cumprira parte da profecida de Jacó.

 Nascendo nesta linhagem, Cristo tinha direito a governar e legislar em favor de Israel. A Ele, "os filhos de teu pai [Israel] se inclinarão"[4]. E mais, Cristo é Siló, que em hebraico significa "Aquele à quem pertence"[5]. Um filho de Judá, e O Filho de Deus. Herdeiro por genealogia do direito de governar e preordenado por Deus para tal.

 

2. Cristo Descendia de Davi

Agora no versículo 6 de Mateus 1, ainda sobre a genealogia de Cristo:


"E Jessé gerou o rei Davi; e o rei Davi gerou Salomão, da que foi mulher de Urias".


Foi prometido no velho testamento que o Messias nasceria de Davi. As promessas também deixavam claro de que ele seria Rei. Jeremias escreveu[6]: 


"Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e sendo Rei, reinará, e procederá sabiamente, e praticará o juízo e a ejustiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo(...)".


Mateus dificilmente teria perdido essa referência. Cristo descendia de Judá numa linhagem de patriarcas que certamente o fariam Rei por direito, não tivesse Israel caído nas mãos de seus inimigos muitos anos antes. Da linhagem entre os descentendes de Judá para somente os descendentes de Davi que poderiam ter-lhe sucedido ao trono é uma redução drástica do número de possibilidades, Mas Jesus continuava como um excelente candidato.

 

3. 14 Gerações

A última profecida é talvez a menos conhecida, devido a sua sutileza. Mateus declara que: 


"De sorte que todas as gerações, desde Abraão até Davi, são quatorze gerações; e desde Davi até o exílio para Babilônia, quatorze gerações; e desde o exílio para Babilônia até o Cristo, quatorze gerações"[7].

 
Esse número 14 parece ser aleatório, mas não é. Uma geração não é uma medida de tempo precisa, e a quantidade de anos que ela engloba varia drasticamente dependendo do autor. Considerando que uma geração é o tempo em que uma pessoa torna-se adulta e têm filhos, considerarei aqui um meio termo entre 20 e 50 anos, que costuma a ser o período fértil dos seres humanos. Essa média seria 35 anos. Se multiplicarmos 35 por 14 gerações, chegamos ao número de 490 anos. Nada de especial sobre esse número, ainda. Isso até lermos o que Daniel registrou ter recebido em revelação:


"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para consumir a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e para trazer a justiça eterna"[8]

.
Alguns versículos acima, Daniel afirmou que o motivo da revelação que recebera, foi sua intensa ponderação nas palavras do profeta Jeremias relativas à certo período de "setenta anos". Além de tirar esta dúvida de Daniel, o anjo lhe revelou coisas que aconteceriam em "70 semanas", um símbolismo para 70 x 7anos (já que a semana tem 7 dias). E quanto tempo são 70 x 7? 490 anos! Assim, mesmo que o valor preciso de anos de uma geração não seja bem estabelecido e tenhamos recorrido à "estratégia do advogado"[9] até certo ponto, fato é que em um período na média de 14 gerações depois de Daniel, os eventos da vida do Messias se desenrolariam - o mesmo período de tempo em que Jesus estava na terra, ensinando, curando e fazendo a obra de seu Pai[10].

 

Conclusão

Como dito no começo do artigo, nosso propósito aqui não foi transformá-lo em um fã das genealogias das escrituras. Isso seria uma tarefa difícil demais para se realizar. Mas o propósito foi ajudá-lo a perceber como uma leitura mais atenta à esse tipo de registro pode revelar dados valiosos que comprovam profecias antigas ou corromboram ensinamentos dos profetas. Esse objetivo é também satisfeito, por exemplo, ao se estudar a genealogia contida em Gênesis 10, sobre a divisão das gerações após o dilúvio. Apesar da precisão global do registro ser disputada, ele aproxima-se com razoável precisão das distribuições locais dos povos na região da península da Palestina. Se você se interessou um pouco mais em buscar "mistérios" escondidos nas genealogias da Bíblia, nosso objetivo aqui foi satisfeito.

 

REFERÊNCIAS

[1] Mateus 9:9; Mateus 10:3;
[2] Mateus 1:22; 2:5,15,17,23;
[3] Gênesis 49:8-10;
[4] Idem, vs.8;
[5] O Targum aramaico traduz o vs. 10 assim: “Até que venha o Messias, a quem pertence o reino”.
[6] Jeremias 23:5-6;
[7] Mateus 1:17;
[8] Daniel 9:24;
[9] A estratégia do advogado a que me refiro seria "encontrar ou interpretar provas para apoiar uma visão específica dos fatos".  
[10] The Harvard Theological Review - Vol. 14, No. 1 (Jan., 1921), pp. 97-103 (7 pages)



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