O Cosmos de Nosso Criador - Ciência | Intérprete Nefita

O Cosmos de Nosso Criador

Onde consideramos a imensidão do cosmos e seu propósito divino, bem como o lugar e papel do homem como parte desse cosmos em constante expansão.


Por Lukas Montenegro 21 de Junho de 2020
O Cosmos de Nosso Criador

Há 18 anos atrás em um célebre discurso, o Elder Neal A. Maxwell convidou milhares de professores dos institutos e seminários de religião, mundo a fora, a considerarem a imensidão das criações de Deus e o que já foi revelado sobre elas, tanto espiritual quanto cientificamente. Ele disse: 

“Irmãos e irmãs, Deus está revelando os segredos do universo, e nós, será que estamos prestando atenção?”[1]

Certamente muitos de nós estão tão concentrados nas revelações das escrituras  (o que é muito bom) que nos esquecemos de considerar outros meios pelos quais Deus tem nos revelado sua “Obra e Glória”[2]. O propósito desse artigo é construir um resumo geral de muitas das coisas que aprendemos sobre o Cosmos de nosso Criador, bem como de nosso papel e propósito nesse cenário em crescente expansão.

O livro de Gênesis nos informa que no princípio, “Deus criou os céus e a terra”[3]. Que lindo é nosso planeta! E como é perfeito e tão bem ajustado para suster a vida de todos os seres que nela habitam, inclusive nós seres humanos. Tem uma posição privilegiada em relação ao sol, de modo a se beneficiar de seu brilho e calor com a devida moderação. Sua atmosfera, rotação, campo magnético e tantas outras características são ideais para manter vastas quantidades de oxigênio, água no estado líquido, temperaturas agradáveis e estações regulares, bem como manter a maioria da radiação danosa do lado de fora. Ela também está em posição de privilegiada entre seus vizinhos planetários, o que a protege da maioria absoluta dos asteroides e outros corpos celestes que poderiam colidir ou causar dano ao nosso planeta. 

  A terra têm existido por cerca de 4,5 bilhões de anos. Ao longo desse tempo, de seu núcleo até a atmosfera, nosso planeta tem mudado e aperfeiçoado. O ser humano tem existido em sua superfície por poucos milhares de anos. Nossas cidades e civilizações, menos ainda. A vida em si começou aqui há alguns bilhões de anos. Dos menores microorganismos no mar, ela evoluiu e se espalhou até formar a profusão de seres vivos que conhecemos. Só pássaros, temos mais de 10 mil espécies. Os dinossauros que um dia viveram aqui, eram mais de 700 espécies. E todas essas criaturas compartilham somente a parte mais superficial de nosso planeta. Já pararam para pensar que a face de nosso planeta é uma fina membrana vibrante de vida, como a de uma bolha de sabão, vagando na imensidão de um espaço desconhecido, frio e inóspito? É nela que construímos nossas famílias, trabalhamos, estudamos, descobrimos, inventamos, amamos e adoramos a Deus. 

A terra porém, é somente uma das muitas criações de Deus. Ele disse a Moisés que existiam muitos outros mundos[4]. O que sabemos então dessas demais criações?

A terra é um dos oito planetas que compõe o chamado sistema solar. Esses planetas, junto com suas luas e milhares de cometas e asteroides são mantidos em eterno e regular giro pela gravidade de nossa estrela dominante, o sol. É por isso que chamamos essa região de sistema solar. Além da terra, não há vida no sistema solar até onde sabemos através de nossas sondas espaciais e robôs.Mesmo que não haja, os corpos celestes nele presentes são de uma variedade imensa de elementos, cores, massas e tamanhos, todos com suas diferentes paisagens, formações rochosas, tempestades e atmosferas. Como testificou o profeta Alma[5], o sistema solar certamente cumpre sua função entre as criações de Deus. 

O sol é somente uma das cem bilhões de estrelas que formam nossa galáxia, a via láctea. A olho nu, ela é o caminho mais intensamente estrelado no céu. A maioria de suas estrelas são parecidas com o sol, mas existem outras, mais velhas e próximas do centro da galáxia, que são bem maiores e mais brilhantes. As estrelas também variam bastante quanto a composição, cor e temperatura. 

O Senhor parece ter falado muito a Abraão sobre o cosmos[6], já que este também reconhecia os diferentes tamanhos e luz das estrelas, ainda que a olho nu todas pareçam iguais a pontinhos de luz na escuridão. Nossos satélites em órbita já identificaram centenas dessas com planetas ao seu redor. Talvez hajam milhares ou milhões de outras que também possuam. Imagine quantos possíveis paisagens, espécieis de plantas, animais. Imagine quantas outras civilizações humanas possam existir. Que lição poderiam eles nos ensinar? Será que nos veriam como um exemplo de retidão ou iniquidade?

As distâncias aqui são tão grandes que fogem a nossa imaginação. Se nossa galáxia tivesse o tamanho do planeta terra, a terra seria menor do que um grão de areia. E a via láctea é somente uma de bilhões de galáxias, cada uma com bilhões de estrelas planetas, que formam nosso universo visível. Assustador, não é? Mas isso não é tudo, porque o universo continua expandindo a uma taxa acelerada, o que significa que a cada instante cresce a distância entre galáxias individuais. Entre uma estrela e outra e entre uma galáxia e outra, é tudo espaço vazio, o frio vácuo espacial banhado pela fraca radiação chamada CMB, o último resquício da época em que o universo foi criado. Além disso as estrelas, assim com nós, nascem, vivem e morrem. Apesar desses processos durarem milhões ou bilhões de anos, uma estrela morta libera matéria e energia no espaço que são os blocos de construção para novas estrelas e planetas. Imagine quantas possibilidades, quantos mundos podem ainda surgir! 

Impressionado? Isso ainda não é tudo. Nas palavras do famoso filósofo alemão Aby Warburg[7], "Deus é achado nos detalhes". Além de ser um Deus grandioso, ele também é cuidadoso em cada detalhe de cada uma de suas obras. Considere os mais simples organismos vivos. Quão curiosa é a intrincada junção de diferentes organelas, formando uma bactéria, envoltas em uma membrana lipoproteica, capaz de se se manter e replicar com mais perfeição do que produções industriais de nossos melhores robôs automatizados.  Ou talvez a precisão com que abelhas produzem hexágonos[8] dentro de suas colméias, ou a intrincada formação do olho humano para propiciar um sistema óptico de incrível eficiência. Até os menores blocos de formação da natureza, os átomos e suas partículas constituintes, funcionam com uma precisão impressionante, obedecendo leis da natureza bem estabelecidas. 

Contemplar o cosmos pode muitas vezes inspirar humildade. No contexto da grandiosidade das criações, somos de fato muito pequenos. Nossa extensão no espaço, nossa duração no tempo enquanto mortais, nossas capacidades e poderes. É tudo profundamente limitado. E essa percepção não é nova. Ao profeta Moisés foi permitido contemplar muitas dessas criações, a visão das quais inspirou uma famosa frase cheia de sabedoria: "Por essas coisas sei que o homem nada é"[9].

Essa visão mais elevada da natureza pode levar a duas perguntas: "Será que Deus de fato se importa com algo tão insignificante como eu?" e "Será que há espaço para amor, compaixão, misericórida, em um universo tão imenso e que opera sobre leis mecânicas e precisas?". A resposta para as duas coisas é um ressonante sim! 

Para a primeira pergunta, as palavras do Salvador ecoam em nossos ouvidos: "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos"[10]. Sabemos que o cosmos foi criado pelo Filho, sob a orientação do Pai. E esse mesmo filho, mesmo sendo todo poderoso, decide com profunda humildade e submissão entregar-se a dores inigualáveis por nós, Seus amigos. Não é concebível que Ele o fizesse se não fossemos relevantes. Não é lógico tamanho sacrifício, a menos que nossa importância a seus olhos seja imensa. Ele te ama e se importa com você!

Já para a segunda pergunta, as palavras do próprio Senhor a Moisés, quando com ele falou pela segunda vez, são enriquecedoras: "E eis que tu és meu filho"[11]. De todas as palavras que ele poderia usar, escolheu chamar Moisés de Seu filho, o que remete amor, cuidado. E nós também somos filhos Dele. Todos os seres humanos que habitam, habitaram e habitarão neste planeta. Todos os que habitam nos outros planetas do cosmos. Quando a natureza parecer injusta ou a vida difícil, lembre-se de que há um Pai amoroso que te colocou aqui, estabelecendo os "tempos e limites de sua habitação"[12]. 

Não gosto particularmente de dizer que os seres humanos são as maiores entre as criações de Deus, já que cada uma de suas criações desempenha um papel único e fundamental em seu plano. E assim como o resto das criações, se cumprimos nosso dever e fizermos nossa parte, muito nos aguarda. O céu não é o limite, está muito além! 

Uno-me ao elder Maxwell ao convidar todas as pessoas a levantarem suas cabeças em profunda reverência pelo cosmos de nosso Criador. Que o universo seja um lembrete constante de nossa responsabilidade diária em seguir as leis do Criador, pois ele já o faz com perfeição. E que possamos, em nossos momentos de reflexão, considerar o que significa ser parte desse cosmos. Compartilhamos de uma porção de seu tempo e espaço, e somos sustentados pelo que ele nos provê. E sendo uma parte dele, estamos também unidos ao cosmos por um profundo e eterno propósito divino.

 

Referências:

[1] Neal A. Maxwell, "O Cosmos de Nosso Criador", Devocional para professores de Instituto e Seminário, 2002. 

[2] Moisés 1:39.

[3] Gênesis 1:1;

[4] Moisés 1:33-35;

[5] Alma 30:44;

[6] Abraão 3;

[7] Aby Warburg, "Nachwort des Herausgebers", pg. 619.

[8] Hexágono é uma figura geométrica plana com seis lados (arestas);

[9] Moisés 1:10;

[10] João 15:13;

[11] Moisés 1:3;

[12] Atos 17:26;

 



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