É o Mal o Resultado da Ausência de Deus no Coração das Pessoas? | Intérprete Nefita

É o Mal o Resultado da Ausência de Deus no Coração das Pessoas?


Por Luiz Botelho 13 de Outubro de 2019
É o Mal o Resultado da Ausência de Deus no Coração das Pessoas?

PERGUNTA:

O que dizer da popular frase atribuída a Albert Einstein de que o mal não existe e que é simplesmente o resultado da ausência de Deus no coração das pessoas?

RESPOSTA:

Sem delongas, a citação atribuída a Eintein é falsa. Membros da Igreja e Cristãos em geral que prezam pela verdade devem criar o hábito de refrearem-se do ato de compartilhar informações duvidosas, mesmo quando elas à primeira vista promovem a fé. Princípios verdadeiros não precisam ser impulsionados por fontes falsas.

Entretanto, o que dizer da ideia de que "o mal é a ausência de Deus no coração das pessoas"?

Frequentemente tais frases de efeito soam muito mais poderosas e verdadeiras na superfície do que na prática. Assim como a origem, a essência da citação também é falsa e extremamente fácil de ser refutada por evidências empíricas. Afirmar que o mal é uma consequência natural da descrença em um Deus ("ou tê-lo em seu coração") é fechar os olhos para a realidade. Existe no mundo uma infinidade de céticos, agnósticos, ateístas e indivíduos com crenças religiosas totalmente anti Cristãs que vivem sob o mais alto padrão de integridade, altruísmo e amor ao próximo e à verdade, em muitos casos sobressaindo em muito o molde religioso tradicional. Naturalmente é possível ser bom sem acreditar em Deus ou "tê-lo em seu coração."

Uma outra variação desse mito atribuído a Einstein, entretanto, afirma que "o mal é a ausência de Deus". Embora as frases aparentem ter o mesmo sentido, a realidade é que são inteiramente diferentes. Como comentado anteriormente, é sim possível ser bom sem acreditar em Deus. Por outro lado, será que a existência de Deus tem qualquer correlação direta ou indireta com a existência do mal ou do bem?

Nesse sentido, o debate tem raízes mais profundas e algumas considerações são necessárias. A outra variação do argumento de o "mal ser resultado da ausência ou inexistência de Deus" geralmente se apoia na linha de raciocínio de que assim como a escuridão não existe por si só, mas é a ausência da luz e o frio ser meramente a ausência do calor, então o mal seria simplesmente o resultado natural da ausência de Deus. Nesse caso, o mal não é algo que possui vida em si mesmo, mas depende da inexistência de um agente anterior--Deus.

Novamente, tal ideia se demonstra frágil, tanto na teologia SUD como em um básico uso de lógica.

2 Néfi 2:11,13 afirma que "é necessário que haja uma oposição em todas as coisas. Se assim não fosse, meu primogênito no deserto, não haveria retidão nem iniquidade, nem santidade nem miséria, nem bem nem mal. E se disserdes que não há pecado, direis também que não há retidão. E não havendo retidão, não há felicidade."

Ao menos três pontos importantes podem ser extraídos de tais passagens: 

1. Oposição é necessária. A existência do mal é essencial para os desígnios do Plano de Salvação. 
2. Sem o mal, nem mesmo o bem existiria. Sem oposição, não existe ponto de referência para algo ser x ou y. 
3. Sem Deus, ou um legislador, o próprio conceito de bem ou mal não possui sentido ou objetividade. Sem um ponto de referência para determinar o que é bom ou mal, que parâmetros utilizaríamos para fazer tal distinção?

A realidade é que "oposição em todas as coisas" é um princípio universal que precede a nosso Deus. Deus não criou a oposição. Na realidade, sem oposição Ele jamais poderia ascender ao posto que hoje ocupa. Dessa forma, a existência do mal não pode ser interpretada como resultado da ausência ou inexistência de Deus. De fato, a própria percepção que temos de que bem e mal são em muitos casos valores reais e objetivos, fortalece a ideia de que existe uma inteligência superior que é o ponto de referência para que tal distinção possa ser realizada.

Afirmar que a escuridão é ausência da luz e o frio é ausência do calor pode ser verdadeiro em termos unicamente científicos e quantitativos. Entretanto, tal lógica não pode ser utilizada para conceitos não quantitativos ou que subsistem no âmbito da experiência pessoal. Seria como afirmar que a fome ou sede não existem e que elas são meramente a ausência de comida e água. Embora fome e sede sejam de fato resultantes da ausência de comida e água, seria tolice afirmar que elas ou seus efeitos não existem.

No mais, convido membros d'A Igreja de Jesus Cristo a conterem a empolgação de promoverem informações sem antes verificar a autenticidade de suas fontes e acima disso, analisarem o que uma informação diz e o que ela implica, antes de utilizá-la para promover nossa crença. Quase sempre, o resultado final será exatamente o oposto.​​​​​​



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