Existem Fontes Extra Bíblicas para Existência de Jesus? | Intérprete Nefita

Existem Fontes Extra Bíblicas para Existência de Jesus?


Por Lukas Montenegro 16 de Setembro de 2021
Existem Fontes Extra Bíblicas para Existência de Jesus?

PERGUNTA:

Existem pessoas além das relatadas na Bíblia que citaram e atestaram a vida e existência mortal de Jesus Cristo?

RESPOSTA:

Como discutido em outra sessão de perguntas e respostas [1], os evangelhos do Novo Testamento, considerados a principal fonte de informação sobre a vida e atos de Jesus cristo, foram escritos em períodos consideravelmente posteriores ao eventos que desecrevem. Há consenso, também, de que não tenham sido escritos pelos autores que aparecem em seus títulos. Para pessoas que possuem unicamente a Bíblia, isso pode trazer dúvidas: talvez Jesus Cristo seja somente uma lenda espalhada pela Palestina e proximidades durante o primeiro século. 


Para essas pessoas e até mesmo para Membros da Igreja de Jesus Cristo que possuem um canon mais rico de escrituras, pode ser valioso investigar fontes extra-bíblicas de pessoas da época que, apesar de não-cristãos, citaram e reconheceram a vida e existência de Jesus. 


O premiado historiador Geoffrey Blainey declarou que, apesar de "referências feitas a ele, durante o tempo em que viveu [serem] extremamente raras", minha conclusão é de que, pelos padrões da época, sua história foi surpreendentemente registrada, já que ele só ficou cohecido nos últimos anos de vida e, assim mesmo, em uma região do Império Romano pouco desenvolvida e afastada" [2].


Consideraremos aqui quatro das principais fontes e incentivamos o leitor à buscar por outras.

 

1. Josephus, historiador Judeu-Romano do Primeiro Século

As referências do historiador Flavius Josephus à Jesus Cristo, seus discípulos e o começo da cristantade são talvez as mais conhecidas no estudo da apologética. Em sua obra "As Antiguidades dos Judeus" [3], escrita entre 90-95 D.C, existem pelo ou menos duas referências claras a Jesus. No livro 18, na passagem chamada "Testimonium Flavianum" lemos que:

"Em certa deste tempo viveu Jesus, um homem sábio(...).Ele ganhou para si os judeus e muitos dos gregos. Ele era o Cristo. E quando, da acusação dos principais dos homens entre nós, Pilatos o condenou à cruz, aqueles que primeiro vieram a Ele, não cessaram(...)" [4]. 

A segunda passagem, no livro 20, faz referência a Jesus e a Tiago, seu irmão:

"E estanto Festus morto e Albinus ainda na estrada, reuniu ele o sinédrio dos juízes e trouxeram diante dele o irmão de Jesus, chamado o Cristo, cujo nome era Tiago, e alguns outros(...)" [5].

O consenso científico dos historiadores (cristãos e não-cristãos) é que a primeira passagem, o "Testemonium Flavianum" é uma fraude adicionada posteriormente por escritores cristãos para aumentar a autenticidade história de Jesus. Quanto à segunda passagem, o consenso é que seja de fato autêntica, com a pequena alteração do termo "chamado o Cristo", que foi possivelmente adicionado posteriormente. Assim temos ao menos uma citação autêntica em Josephus que menciona Cristo, bem como pessoas próximas a Ele sendo julgadas pelo sinédrio judeu.

 

2. Tacitus, historiador e senador Romano do Primeiro Século

Em sua última obra, "Anais" [6], escrita em cerca de 116 D.C., Tacitus cita a crucificação de Cristo e a existência dos primeiros cristãos:

"[Eram] chamados de cristãos pelo populacho. Christus, de quem seu nome tem origem, sofreu a pena máxima durante o reino de Tibério pela mão de um de seus procuradores, Pôncios Pilatos" [7].

Essa citação de Tacitus é considerada consensualmente pelos historiadoras como autêntica e valiosa para estabelecer a historicidade de Jesus. Existem alguns criticismos a seus trabalhos, por exemplo alegando que Tacitus estava somente repetindo coisas que ouviu dos cristãos existentes na época. A maioria dos historiadores, entretanto, considera Tacitus como um historiador sério e conhecido por sempre checar as fontes de todas as informações por ele citadas.

 

3. Mara, filósofo Estoico que viveu entre o Primeiro e Terceiro Século

Em carta para seu filho, Sarapion, Mara discutia as injustiças cometidas por tiranos contra homens sábios em diferentes locais e épocas. Em certo momento, ele declarou:

"Que vantagem tiveram os judeus ao executar seu sábio rei? Foi justo que seu reino tenha sido abolido" [8].

Existe pouco disputa quanto a esse extrato ser clara referência a Jesus. A disputa maior ocorre quanto a data incerta de sua escrita, e portanto que valor histórico poderia ser dado ao conhecimento direto de Mara acerca de Jesus.

 

4. O Talmude Judeu, entre o Primeiro e Terceiro Século

O Tamulde é um dos textos centrais do judaismo, contento as principais informações tanto dos ensinamentos rabinicos, da lei e da teologia judaica. Existem alguns trechos do Talmude que fazem referência a um "Yeshu" ou "Yeshu ha-Notzri", Jesus ou Jesus de Nazaré. Em uma dessas passagens lemos:

"E Yeshu seria apedrejado pela prática de feitiçaria, por seduzir e desviar Israel. Qualquer um que soubesse de algo para livrá-lo podia vir e exonerá-lo, mas nenhum veio(...)e foi morto na noite da Páscoa [9]".

Outra referência vem do rabi Eleazar ben Dama, que haveria se recusado a ser curado em "nome de Jesus" por outro rabi e acabou morrendo [10].

Assim como no item 3, o ponto de discussão entre os historiadores está na incerteza da data de tais passagens, enfraquecendo a validade histórica da informação como contemporânea de Jesus.

 

Conclusão 

O apóstolo James. E. Talmage resume com profunda clareza a importância de conhecermos mais sobre a historiografia de Jesus: " É verdade que pouco foi dito sobre Ele pelos historiadores de seu tempo; ainda que poucas e curtas sejam as alusões feitas por escritores não-bíblicos, são entretanto suficientes para corroborar o registro sagrado no que concerne à realidade e ao período da existência terrena de Cristo." [12]

 

REFERÊNCIAS

[1] https://www.interpretenefita.com/perguntas-e-respostas/quem-escreveu-os-evangelhos-do-novo-testamento/187/
[2] Geoffrey Blayney, "Uma Breve História do Cristianismo", Editora Fundamento (2011), pg.5;
[3] Flavius Josefus, "A Antiguidade dos Judeus" (90-95 D.C.);
[4] idem, livro 18;
[5] idem, livro 20;
[6] Tacitus, "Anais" (116 D.C);
[7] Idem, livro 15, cap. 44;
[8] Robert E. Van Voorst, "Jesus outside the New Testament: an introduction to the ancient evidence", pg. 53–55;
[9] Talmude, "Sinédrio", 43a;
[10] Tosefta Hullin II 22;



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