O que Eram as Pedras que Iluminaram a Viagem dos Jareditas? | Intérprete Nefita

O que Eram as Pedras que Iluminaram a Viagem dos Jareditas?


Por Lukas Montenegro 15 de Novembro de 2020
O que Eram as Pedras que Iluminaram a Viagem dos Jareditas?

PERGUNTA:

Lemos no início do capítulo 3 de Éter, que o irmão de Jarede preparou certas pedras especiais e que, após serem tocadas pelo dedo do Senhor, permaneceram brilhando no escuro e forneceram iluminação durante a jornada dos jareditas para as Américas. Conhecemos alguma informação específica sobre tais gemas? Existem evidências científicas de que essas pedras existem?

RESPOSTA:

Antes de discutir qualquer informação a respeito de "pedras que brilham no escuro", é importante deixar claro de que não há nenhum conhecimento certo e revelado a respeito da natureza das pedras que iluminaram a viagem jaredita. Sabemos através de Néfi que algumas vezes, o padrão de engenharia do Senhor difere daquele utilizado pelos homens da época[1]. Entretanto, é possível utilizar os conhecimentos modernos da ciência para chegar em um bom candidato para as ditas pedras. E esse candidato pode atribuir significado ainda maior ao ensinamento divino dado a Jarede de que "não é conveniente que em todas as coisas [O Senhor] mande"[2].

Existem diversos meios de fazer uma rocha brilhar. Luz é uma das muitas formas de energia, assim como a energia térmica, sonora, mecânica (de movimento), etc. Como se sabe desde o século XVIII, através do trabalho de homens como James P. Joule, a energia pode transformar-se de uma forma para outra, nunca sendo destruída ou criada. Por exemplo, a energia térmica gerada pela queima de carvão, esquenta a água e a transforma em vapor, sendo transformada em energia de movimento se o grupo certo de equipamentos conduzir o vapor à empurrar um pistão e, com isso, colocar um motor em movimento. O motor, por sua vez, transforma a energia de movimento em energia elétrica, que é transmitida até nossas casas.  

Além da capacidade de transformação, energia também pode ser armazenada através de certos processos. Quando você coloca seu celular em cima da mesa, ele armazena energia de movimento com ajuda da gravidade (se você tirar a mesa, ele vai se mover para baixo, não é?). Armazenamos eletricidade em capacitores e baterias, para liberá-la quando nos é conveniente[3]. Esses mesmos princípios valem para qualquer forma de energia, desde que o mecanismo de armazenamento seja apropriado.

Pelo registro de Éter, compreendemos que as pedras eram feitas de material capaz de absorver energia e depois a emiti-la em forma de luz, de maneira gradual, por um longo período de tempo. Na físico-química moderna, esse efeito é chamado de fosforescência. Existem diversos exemplos de minerais (pedras) fosforescentes. O mineralogista Sidney Ball indentificou vários deles[4]. Aqui listamos somente alguns deles:

  • A maioria dos diamantes, que emitem luz ao serem atritados com um pedaço de pano ou quando expostos à luz solar;
  • A barita, um mineral que emite luz à noite, depois de exposta à luz solar durante o dia;
  • Várias pedras preciosas como a esmeralda e o rubi, que emitem luz por um curto espaço de tempo;
  • A fluorita, conhecida desde a antiguidade por emitir um intenso brilho verde depois de exposta à luz.

Apesar de cada um destes minerais possuirem constituição única, o processo de fosforescência que acontece em todos é o mesmo. Suas diferentes constituições influenciam somente na intensidade  da luz emitida ou no tempo em que as pedras permanecem brilhando após serem privadas da luz solar. 

Como então funciona essa tal fosforescência? O processo em si é complicado e envolve certas ferramentas da mecânica quântica[5]. De maneira geral, o que acontece é que, ao receber luz do sol, os elétrons (particulazinhas que compõe todas as coisas) nesses mineirais, saltam para um nível de maior energia. Na maioria dos materiais, esses elétrons rapidamente saltam de volta para o nível em que estavam anteriormente. Ao fazê-lo, liberam a energia absorvida em formas diferentes da luz visível.

No caso das pedras que exibem fosforescência, entretanto, duas coisas diferentes ocorrem. A primeira é que esses elétrons, ao saltarem para o nível mais energético, encontram dificuldades (relacionadas a estrutura atômica do material) para voltar ao nível anterior. Essa dificuldade é mantida enquanto a luz incide sobre ela. Quando privados da luz, esses elétrons encontram mais facilidade para saltar de volta. Ao fazê-lo, emitem energia na forma de luz visível, de modo que conseguimos vê-los brilhar (essa é a segunda coisa diferente). Reparem que foi dito "mais facilidade" e não que "fica fácil". Ainda existe dificuldade para o retorno dos elétrons, de modo que pode demorar várias horas até que todos voltem à sua posição inicial - e assim, a emissão de luz pode durar consideravelmente. 

 Agora que foi discutido como pedras podem brilhar no escuro depois de estimuladas, falta justificar um último ponto: em que sentido esse entendimento aumenta nossa compreensão da importância de agirmos por nós mesmos e sermos autossuficientes?

Se de fato o irmão de Jarede escolheu pedras fosforescentes para serem tocadas pelo dedo do Senhor, certamente não foi uma escolha ao acaso. Não foi por serem as mais bonitas esteticamente. Ele deve ter observado cuidadosamente esse processo na natureza, e depois testado diferentes meios de purificação e melhora dos mineirais, de modo a potencializar sua capacidade de fosforescência. E só então quando tinha o melhor que podia produzir por si próprio, solicitou ajuda divina para "carregar" as pedras com potência total, de modo que emitissem sua luz durante toda a jornada.

 

REFERÊNCIAS

[1] 1 Néfi 18:1-2;

[2] D&C 58:26;

[3] Newton Braga, "Curso de Eletrônica Analógica" - Cáp. 2;

[4] Sydney H. Ball, "Luminous Gems, Mythical and Real", The Scientific Monthly 47.6: 496–505 (1938);

[5] Mais informações sobre as leis básicas da mecânica quântica podem ser encontradas em: Brian Cox, "Universo Quântico" (2011), em especial Cáp. 6;

 

 

 



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