Qual Era a Real Aparência de Jesus? | Intérprete Nefita

Qual Era a Real Aparência de Jesus?


Por Luiz Botelho 25 de Dezembro de 2021
Qual Era a Real Aparência de Jesus?

PERGUNTA:

Por que Jesus Cristo é normalmente retratado artisticamente como sendo um homem branco, de olhos azuis, estatura alta e cabelos longos e ondulados?

RESPOSTA:

Ao assistirmos filmes ou vermos pinturas que visam representar a aparência física do Salvador, é comum encontrarmos um Jesus branco, de olhos azuis, estatura alta e longos cabelos ondulados e castanhos escuros. Quão precisas são tais representações?

De fato, tais representações nasceram na chamada Era Bizantina, séculos depois da vida e ministério de Jesus Cristo e suas motivações eram mais baseadas em aspectos culturais do que históricos. Cristo, nessa época, era frequentemente representado por artistas como um imperador celestial e suas características físicas semelhantes ao deus grego Zeus e deuses romanos. [1]

Como descrito por Joan Taylor, professor de Origens Cristãs e Templos Judaicos, "O objetivo dessas imagens não era mostrar Jesus como um homem, mas fazerem conclusões teológicas sobre quem Jesus era como Cristo (Rei, Juíz) e filho divino. Elas evoluíram com o passar do tempo para o Jesus que reconhecemos."[2]

Em 2001, com o objetivo de reconstruir uma representação antropológica da aparência de Jesus Cristo, pesquisadores de diferentes áreas, então, se uniram e desenvolveram digitalmente uma imagem que descrevia um Jesus de aproximadamente 1,60m de altura, pele e olhos escuros, cabelo curto e ondulado, baseando-se em um crânio de um indivíduo Israelense que morreu no século 1. A lógica utilizada era simples... Na ausência de qualquer descrição bíblica da aparência física do Jesus mortal, o mais plausível seria concluir que Jesus Cristo provavelmente compartilhava de características comuns do povo de Israel presentes naquela época e local. 

Embora essa linha de raciocínio seja coerente de um ponto de vista histórico e antropológico, invocá-la não é um requisito quando analisamos os fatos sob a ótica da teologia do Cristianismo. Mateus 1:18-20 e Lucas 1:35 ensinam que Jesus Cristo foi concebido pelo poder do Espírito Santo, não da união genética de um casal de Judeus. José criou Jesus Cristo, mas não era seu pai biológico. 

É plausível concluir que Maria compartilhou 50% de seu DNA para gerar Jesus, visto que necessitava nascer como humano e herdar características de um mortal para cumprir sua missão terrena. Nesse caso, é possível que a representação de um Jesus de aparência comum aos Judeus da época seja adotada. Por outro lado, é preciso lembrar que Jesus era filho não apenas de Maria, mas do próprio Eloím. Cristo possuía provavelmente o DNA de Maria, mas ao mesmo tempo, o DNA de um Deus. Por essa razão, Jesus Cristo tinha poder para curar, mas também sentia dor, poder para materializar comida, mas também sentir fome, poder para aliviar o fardo dos outros, mas também sofrer física e emocionalmente. 

Teria o filho de um Deus gerado no ventre de uma mulher mortal a aparência de um Judeu da época? Talvez. Ou seria plausível concluir que Sua origem divina desenvolvesse traços físicos diferentes e incomuns para um carpinteiro Judeu do primeiro século? Difícil saber. A ausência de relatos escriturísticos provendo qualquer ênfase ou anomalia na descrição de Cristo talvez sugira que não, mas certamente não elimina tal possibilidade.

Naturalmente, a aparência física de Jesus Cristo tem pouca ou nenhuma relevância na teologia do Evangelho restaurado, mas a inexistência de uma descrição bíblica detalhada do semblante de Cristo serve como lembrete de que é sua missão e mensagem o que realmente importa.

Referências:

[1] "What Did Jesus Really Look Like?", Biblical Archaeology Society Staff, 24 de Julho de 2021.
[2] What did Jesus really look like, as a Jew in 1st-century Judaea?, Joan Taylor, The Irish Times, Fevereiro 2018.



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